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16/05/2017



INOVAÇÕES SUSTENTÁVEIS EM ELEVADORES E ESCADAS ROLANTES


Sabia que já existem no mercado elevadores que geram energia, que atingem velocidades de até 2,5 metros por segundo, e que economizam até 75% de energia?

Por Ticiana Werneck, da Abrasce

 

 

Elevadores e escadas rolantes são personagens coadjuvantes das visitas a um shopping center. Mas o que pouco se sabe é que as inovações nesta área são surpreendentes, e no quesito sustentabilidade os lançamentos vêm se superando a cada ano.

 

Você sabia que já existem no mercado elevadores e escadas rolantes que “geram energia”? No caso do elevador, o sistema regenerativo de energia, como se chama, permite devolver parte da energia gasta pelo elevador durante seu funcionamento para a rede elétrica interna da edificação, resultando em uma economia de até 75% de energia. Com o sistema, o empreendimento recebe parte da energia devolvida pelo motor de tração do elevador em dois momentos: quando sobe com a cabina abaixo da metade da sua capacidade ou quando desce com a capacidade acima da metade. A energia devolvida pode ser utilizada para o sistema de elevadores (um consome a energia devolvida pelo outro), ou utilizada para alimentar a iluminação elétrica, o ar condicionado e outros equipamentos do prédio. O que antes era desperdiçado agora se torna energia reutilizável. O medidor do prédio irá registrar um menor consumo de energia da concessionária.



Já no caso das escadas rolantes, há no mercado equipamentos inteligentes, que utilizam sensores de presença para a economia de energia, além dos dispositivos de segurança, que prometem até 30% de economia de energia. Para elas, o drive regenerativo de energia propicia a redução de até 45% do consumo de energia. Estes drives ajudam a reduzir os dois principais fatores que influenciam os custos da energia elétrica: a potência consumida na corrente de pico e o consumo de energia total. Na prática, uma escada rolante com carga total – durante a descida – será capaz de fornecer grande parte da energia para uma escada rolante adjacente que estiver subindo.

 

A quantidade de economia de energia por causa da regeneração depende de vários parâmetros e configurações do sistema, como: carga de passageiros, padrões de tráfego e eficiência do sistema.

 

“Ao longo dos últimos anos, os principais shoppings vêm se modernizando para atender o crescente fluxo de visitantes com eficiência energética e menor impacto possível ao meio ambiente. Esse processo de modernização chegou também aos elevadores e escadas rolantes, ‘órgãos vitais’ para a operação de um shopping”, esclarece Carlos Roberto Bonadio, Diretor de Serviços da Thyssenkrupp Brasil.

 

 

Subindo: demanda por sustentabilidade

 

Com o crescimento da população urbana, mais shoppings são inaugurados pelo mundo. Estas construções estão no centro do debate sobre eficiência energética, pois respondem por 40% do consumo de energia, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).

 

Os elevadores são parte importante nesta equação, pois representam cerca de 10% da energia consumida pelos edifícios. Por isso, o elevador faz toda diferença para uma construção obter as principais certificações de sustentabilidade, como LEED e Aqua.

 

“As novas tecnologias em elevadores podem reduzir o consumo de energia; além de ampliar a capacidade de tráfego, gerar energia para os edifícios, encurtar distâncias e dar aos arquitetos liberdade para criar projetos inovadores”, comenta Bonadio, da ThyssenKrupp.  A empresa possui no mercado um elevador que não tem  engrenagem, funciona com imãs permanentes que melhoram o desempenho do motor, proporcionando uma economia de até 30%. Além disso, dispensa o uso de óleo lubrificante, o que por si só contribui para não poluir o meio ambiente.

 

Outro exemplo é o modelo Gen2, da Elevadores Otis, que não tem casa de máquina e ajuda a reduzir o consumo de energia em até 75%. O elevador utiliza uma máquina compacta e cintas de aço e poliuretano, 20% mais leves que os tradicionais cabos de aço. Tanto as cintas quanto a máquina sem engrenagens não requerem lubrificação adicional, tornando o sistema mais limpo para o meio ambiente.

 

O modelo possui também cabines com iluminação eletrônica de LED, que reduzem o consumo de energia elétrica em até 30% em comparação com as lâmpadas fluorescentes e são totalmente lead-free, ou seja, seus componentes e processo produtivo não possuem chumbo, substância tóxica ao meio ambiente. “Hoje o elevador consome menos energia elétrica que um micro-ondas”, observa Júlio Bellinassi, Presidente da Elevadores Otis para América do Sul.


Um degrau acima


No início de maio, a Thyssenkrupp lançou, no Fórum de Eficiência Energética que aconteceu em Washington (EUA), sua mais recente inovação para tornar a mobilidade urbana mais sustentável. Trata-se da solução de energia net-zero, que consome aproximadamente a mesma quantidade de energia que gera, e pode ser aplicada em elevadores que já estão em operação, sem a necessidade de substituir o elevador.

 

O novo conceito de net-zero vai um passo à frente dos elevadores que regeneram energia, pois melhoram a eficiência energética do edifício mesmo quando o elevador está parado esperando uma chamada, o que pode representar até 70% de sua vida útil. O projeto usa novos controladores que acionam modos de “hibernação” ou “sono” em cabinas ociosas, reduzindo assim a demanda de energia. A energia necessária pode ser gerada usando painéis solares que não devem ter dimensões superiores ao tamanho do poço do elevador, criando sistemas que consomem menos do que geram.

 

A Otis já lançou uma nova versão de seu modelo mais moderno de elevador. O Gen2 Comfort é ainda mais rápido (com velocidades de até 2,5 metros por segundo) e sustentável. “Nos últimos anos, a indústria brasileira tem evoluído muito em relação ao mercado de construções verdes, seguindo a tendência mundial, e tem se preparado cada vez mais para atender às rigorosas exigências dos projetos sustentáveis”, diz Bellinassi, da Otis.

 

Da Otis, o sistema Compass, de antecipação de destino, evita filas e aglomerações de pessoas no saguão, cabinas cheias e inúmeras paradas durante a viagem. À medida em que as chamadas ocorrem, o sistema faz uma distribuição inteligente dos passageiros ainda no saguão do prédio, criando grupos de pessoas que farão viagens para o mesmo andar ou pisos próximos. O sistema indica o elevador que mais rapidamente chegará ao pavimento desejado, proporcionando menor tempo de espera e menos paradas intermediárias. Para se ter uma ideia, em comparação aos sistemas convencionais de despacho de chamadas, o Compass reduz em até 40% o tempo total de viagem.

 

 

Inovação em todos os andares

 

A Otis possui 160 anos de história, e está há 110 no Brasil. Curiosidade: seu primeiro elevador instalado, em 1906, ainda está em funcionamento com suas características estéticas originais no Palácio das Laranjeiras, atual residência do Governador do Estado do Rio de Janeiro.

 

Em 2013, a empresa inaugurou em São Bernardo do Campo (SP) sua primeira fábrica “verde” na América do Sul, com instalações projetadas de forma a minimizar impactos ambientais com a obtenção da certificação LEED - Leadership in Energy and Environmental Design. A planta utiliza energia natural e um sistema construtivo para auxiliar na redução do consumo de energia elétrica e reuso de água.

 

No mundo, a empresa possui 2 milhões de unidades sob manutenção, e neste item também está inovando ao aplicar ferramentas digitais. Utilizando tecnologias de serviço nas nuvens, sistemas de Gestão do Relacionamento com Clientes (CRM) e Big Data, a empresa faz monitoramentos baseados nas condições do sistema. “O objetivo é transformar o modo como as pessoas vivem, trabalham e interagem com prédios industriais e comerciais para melhorar a produtividade, segurança e conforto das pessoas, possibilitando a existência de cidades mais inteligentes e mais verdes”, finaliza Bellinassi.