Agora, em setembro, Nova York voltou a ser o centro global das discussões sobre sustentabilidade e transição energética durante a Climate Week NYC 2026, realizada em paralelo à Assembleia Geral da ONU. O tom dominante deste ano foi de pragmatismo: o período de promessas abstratas deu lugar à cobrança por execução, governança corporativa e escala de financiamento.
Acompanhando os debates do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, vimos que, com a aproximação de 2030, a pauta da sustentabilidade corporativa ganhou contornos ainda mais rigorosos. Não basta falar em ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável; é preciso demonstrar resultados de aplicação dos ODS, metas reais, ações imediatas em governança, integridade da cadeia de suprimentos e impacto social justo. Direitos humanos e clima caminham juntos nas diretrizes que chegam da sede das Nações Unidas.
Já no encontro com investidores e líderes empresariais promovido pelo LIDE NYC, o Brasil esteve no centro dos holofotes. E não é por acaso. O país combina uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta com um enorme potencial para atração de investimentos verdes e financiamento misto. O consenso entre os lideres empresariais é que o Brasil tem a oportunidade histórica de liderar a economia de baixo carbono, mas, para isso, precisa garantir estabilidade regulatória e segurança jurídica para o investidor.
Ficou claro também, quando da nossa participação no evento da AMCHAM, que as questões geopoliticas nunca estiveram tão ligadas às mudanças climáticas, ao desenvolvimento sustentável, à economia verde, à transição energética, à descarbonização e à regulamentação dos minerais críticos.
Quanto à IA, foi muito importante entendermos, nas palestras tanto do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, quanto da AMCHAM, do LIDE NYC e também dos painéis da Climate Week, que existe uma questão ambiental também ligada ao seu crescente uso. Não podemos descartar o custo ecológico da IA e os recursos ambientais que os próprios data centers utilizam, como, por exemplo, a energia e a água, além do descarte do lixo eletrônico.
Também pudemos ver que as questões políticas do Brasil e o impacto das eleições de 2026 estão na pauta do cenário global e colocam os holofotes no Brasil para as ações climáticas e escolhas na área ambiental, neste pós-eleição.
Em praticamente todos os eventos, ficou claro que temas como descarbonização industrial, transição justa e o uso de novas tecnologias para governança socioambiental ganharam protagonismo e estarão em destaque em pautas e agendas para os próximos anos.
A mensagem final de Nova York para o mercado é direta: sustentabilidade deixou de ser diferencial reputacional para se tornar premissa de sobrevivência econômica e competitividade global.
Tereza Cristina Silveira de Andrade
CEO – Andrade Paulista
Engenheira Química – Mestre em Gestão Ambiental
Auditora Lider Iso 14001
Escritora e Palestrante
PROGRAMA CONSTELAR
