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14/03/2016



NOVAS DISCUSSÕES SOBRE RECONHECIMENTO FACIAL


A venda de tecnologia para reconhecimento facial deverá movimentar US$ 6,2 bilhões até 2020



Por Ticiana Werneck

Matéria da agência de notícias Bloomberg diz que em 2015, US$2,8 bilhões foram gastos com a compra de tecnologias para permitir o reconhecimento facial – 30% dos varejistas do Reino Unido já estão usando algum equipamento deste tipo.

 

Esse assunto vem gerando cada vez mais interesse por parte do varejo. Na última edição do Big Show da NRF, ocorrida em janeiro em Nova York, considerado o maior evento do mundo do setor, esse tema também esteve presente. Lá, a japonesa NEC demonstrou o uso do software NeoFace, capaz de reconhecer instantaneamente rostos no meio da multidão, inclusive a partir de vídeos em baixa resolução.

A câmera de monitoramento da japonesa Hitachi encontra em um segundo um rosto a partir de uma foto ou filmagem. Feito sob medida para empresas que lidam com grandes volumes de clientes como aeroportos, shopping centers, parques temáticos e aeroportos, a tecnologia reconhece um rosto em diversos ângulos e o identifica após rastrear uma base de até 36 milhões de pessoas.

Este tipo de informação pode ter várias utilidades. É possível para uma loja, por exemplo, saber se aquele consumidor que passeia pelo corredor é um cliente assíduo, saber quais outros modelos já comprou e fazer uma abordagem direcionada. A reportagem da Bloomberg traz outras hipóteses para demonstrar como estes dados biométricos permitem uma maior interação entre o varejo e o consumidor. Quando se trata de um consumidor assíduo, ao entrar na loja, ele pode receber pelo celular uma mensagem de sua pontuação do programa de fidelidade ou ser abordado pela vendedora de uma forma diferenciada, ou ainda receber um brinde na data do seu aniversário. A possibilidade de cruzamento de informações na era da Big Data é tremenda.

Mas, principalmente, a tecnologia de reconhecimento facial é indicada para promover mais segurança: ao reconhecer um rosto tido como “não-desejado” a segurança é alertada antes que algo pior aconteça.

A reportagem da Bloomberg calcula que grandes varejistas como Walmart, Giorgio Armani, Macy´s e Benetton já usem algum equipamento de reconhecimento facial em suas lojas, mas elas não confirmam a informação. 


A verdade é que, além de ser um recurso novo, há a implicação de leis que garantem a privacidade. Esta mesma discussão já havia sido travada anos antes, quando a italiana Almax anunciou o lançamento de manequins que “observavam” consumidores.  

Nos olhos dos manequins, câmeras ligadas a um software de reconhecimento facial, podem fornecer dados como perfil, idade, raça e gênero dos consumidores que foram atraídos por ele. É possível também, segundo executivos da Almax, a partir destas informações obter dados estatísticos e contextualizados sobre o público alvo, fluxo de clientes de acordo com a hora, e áreas quentes e frias da loja. Com a solução é possível medir a eficácia da vitrine, e poder agir rapidamente caso ela não esteja surtindo o efeito esperado. O mesmo pode ser estendido para promoções e layouts de loja.

Alguns shoppings pelo mundo usam softwares de reconhecimento facial para testar a eficácia de displays eletrônicos: eles captam a quantidade dos atingidos, e o perfil de quem está à sua frente – se homem, mulher, criança.

Como se vê, as vantagens do uso do reconhecimento facial passam por maior facilidade na mensuração de resultados, aumento do engajamento com o consumidor e prevenção de riscos. Agora, é esperar uma adesão ética da tecnologia.

 

Reconhecendo expressões faciais

Em 2014, durante o 13º. Congresso Internacional de Shopping Centers e Conferência das Américas, promovido pela Abrasce, em São Paulo, esse assunto tomou um rumo ainda mais sofisticado: reconhecimento de expressões faciais.

O palestrante, Cliff Lansley, CEO da Paul Ekman International, especialista internacional, afirmou que interpretar corretamente as emoções ajuda a antecipar reações, o que impacta a segurança de grandes empreendimentos.

A Paul Ekman International, inclusive, realiza pesquisas nesta área que já colaboraram com diversas agências de serviço secreto pelo mundo na tarefa de identificar possíveis agressores ao bem comum. O assunto foi tema do seridado americano Lie To Me, sobre investigação poilicial, que contou com a consultoria da empresa.

Atualmente, o foco de Lansley é o mundo corporativo. “Nos últimos cinco anos tenho me dedicado a levar para as equipes de seguranças de empresas o que a ciência pode comprovar”, comentou.

“Existem sinais básicos que nos ajudam a identificar más intenções. São sinais universais, como movimento das sobrancelhas, lábios, queixo, olhos, que podemos aplicar em qualquer lugar, seja um aeroporto, seja um estabelecimento comercial”, disse ele que garante que profissionais de segurança treinados nestes preceitos são capazes de predizer intenções, dirimindo a chance de algo grave acontecer.

 

Com informações de: Bloomberg