Especialista aponta que uso de dados e tecnologia pode ajudar empresas a manter produtividade e reduzir perdas operacionais diante de mudanças na jornada de trabalho
O debate sobre o fim da escala 6×1 tem levado empresas de diversos setores a avaliar os impactos da possível redução da jornada de trabalho. No varejo, um dos maiores empregadores do país e responsável por cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB), a discussão ganha contornos ainda mais relevantes devido à necessidade de manter operações em horários estendidos, finais de semana e períodos de grande fluxo de consumidores.
Os números indicam que o setor pode enfrentar desafios significativos. Um estudo do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), em parceria com a FIA Business School, estima que o varejo pode registrar perdas entre 3,6% e 6,1% na sua capacidade de geração de riqueza com a adoção de jornadas reduzidas sem medidas compensatórias de produtividade. Já uma análise do BTG Pactual projeta uma queda média de 9,5% no EBITDA das empresas varejistas e aponta que segmentos como farmácias, vestuário, alimentação e comércio eletrônico poderiam demandar mais de 30 mil novas contratações, gerando aproximadamente R$ 2 bilhões em custos adicionais para o setor.
Diante desse cenário, especialistas defendem que o debate não deve se limitar ao impacto da redução das horas trabalhadas, mas também considerar oportunidades de ganho de eficiência. Para Dennison Coelho, diretor de Novos Produtos da Group Software, o uso estratégico de dados pode ser um dos caminhos para que os varejistas mantenham a produtividade sem comprometer a qualidade do atendimento e, até mesmo, aumentem seu faturamento. “Independentemente do formato que venha a ser adotado para a jornada de trabalho, o varejo precisará operar de forma cada vez mais eficiente. Muitas empresas ainda não possuem informações precisas sobre quantos atendimentos deixam de ser convertidos em vendas, quais são os principais motivos dessas perdas ou em quais horários há necessidade real de reforço das equipes. Sem esses dados, torna-se mais difícil tomar decisões que preservem a rentabilidade do negócio”, afirma.
Segundo o especialista, um dos principais desafios do setor está justamente na falta de informações estruturadas sobre o comportamento do consumidor dentro da loja física. Em muitos estabelecimentos, o sistema de distribuição de atendimentos entre vendedores ainda é realizado de forma manual e sem registro das oportunidades perdidas. Com isso, lojistas deixam de identificar fatores que impactam diretamente a conversão de vendas, como indisponibilidade de produtos, ausência de cores ou modelos procurados pelos clientes, filas em horários de pico e distribuição inadequada das equipes.
Ao mesmo tempo, a digitalização do varejo avança. Dados da Pesquisa TIC Empresas mostram que mais de 80% das empresas brasileiras já utilizam sistemas digitais para apoiar suas operações, mas a adoção de ferramentas voltadas especificamente para inteligência de vendas ainda apresenta amplo potencial de crescimento, especialmente entre pequenos e médios negócios. Nesse contexto, soluções que transformam atendimentos em informações estratégicas ganham relevância. A partir do registro dos contatos realizados pelos vendedores, é possível acompanhar indicadores de conversão, identificar motivos de não venda, mapear horários de maior movimento por meio de análises de fluxo e ajustar o dimensionamento das equipes conforme a demanda real da loja. Assim, a inteligência de vendas deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio à gestão e passa a ocupar posição estratégica para o futuro do varejo brasileiro.
Sobre a Group Software
Fundada há três décadas, a Group Software é líder em tecnologia para gestão de propriedades no Brasil e especialista em soluções financeiras e gestão de pessoas para negócios em diferentes segmentos. O grupo reúne mais de 10 empresas, incluindo a holding de investimentos Group Ventures, e conta com um portfólio de mais de 20 softwares e 15 módulos integrados. Suas soluções atendem cerca de 8 mil clientes e impactam aproximadamente 5 milhões de unidades imobiliárias em três continentes.
Atualmente, a companhia está presente em diversos países e em mais de 250 cidades brasileiras, com operações nos 27 estados e escritórios em Belo Horizonte (matriz), São Paulo e Nova York. Com um time de mais de 500 colaboradores, a Group Software alia tecnologia e inovação a um atendimento humanizado, com soluções de alta performance.
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