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Proteína em todo lugar: quando a busca pelo nutriente deixa de ser saudável?

Suplementação já faz parte da rotina de 64% dos brasileiros, e nutróloga do Centro Médico Catuaí alerta para os excessos da “febre proteica” 

 

Do café da manhã ao lanche da tarde, das barrinhas aos shakes, a proteína deixou de ocupar apenas as prateleiras de suplementos esportivos. Produtos identificados como high protein ganharam espaço nos supermercados e nas redes sociais, enquanto tendências como o protein-maxxing incentivam consumidores a aumentar a presença do nutriente praticamente em todas as refeições.

O interesse pelo termo “proteína” nas buscas do Google cresceu 350% nos últimos cinco anos, de acordo com dados do Google Trends divulgados em agosto de 2026 pela Folha de S.Paulo. O movimento também acompanha uma mudança mais ampla nos hábitos de consumo. Pesquisa do Grupo Consumoteca, apresentada no Nutri Ingredients Summit e divulgada pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) em abril deste ano, aponta que 64% dos brasileiros já utilizam algum tipo de suplementação na rotina, com proteínas e creatina entre as principais categorias consumidas depois dos multivitamínicos.

A movimentação é tão expressiva que ultrapassa as academias, chega a diferentes categorias de alimentos e já pressiona até a cadeia mundial de produção de whey. Mas, diante dessa corrida pela proteína, surge uma pergunta: consumir mais significa, necessariamente, ter uma alimentação mais saudável?

Segundo a nutróloga Gabriela Adamy de Lírio, da Aesthetic, clínica do Centro Médico do Catuaí, a atenção deve estar principalmente na forma como a proteína é inserida na alimentação. “Pode haver riscos, principalmente quando o aumento do consumo de proteína leva à redução de outros grupos alimentares importantes. O desequilíbrio começa quando uma recomendação adequada é interpretada como a ideia de que ‘quanto mais proteína, melhor’ ou de que o nutriente deve ocupar sozinho o centro da alimentação”, explica. 

Para a médica, mais importante do que contabilizar gramas é entender a necessidade de cada organismo: “Mais importante do que perguntar ‘quanto de proteína eu estou comendo?’ é perguntar: ‘quanto de proteína eu preciso e de onde ela está vindo?’”, destaca.

Essa individualização ganha ainda mais importância em pessoas com condições específicas. “Pacientes com doença renal ou fatores de risco para comprometimento dos rins precisam de avaliação individual, porque uma dieta com excesso de proteína pode acelerar a progressão da doença”, alerta Gabriela.

 

O lado B da febre proteica 

Um dos efeitos da “febre da proteína” pode aparecer não pelo nutriente que entra na rotina, mas pelo que começa a ficar de fora. Quando carnes, ovos, queijos, shakes e snacks proteicos passam a substituir frutas, verduras, legumes, cereais e outras fontes alimentares, o cardápio perde variedade. “A substituição desses alimentos pode reduzir a ingestão de fibras, vitaminas, minerais e outros compostos essenciais para a saúde”, enfatiza a nutróloga.

O intestino pode ser um dos primeiros a sentir essa mudança. “No curto prazo, uma dieta pobre em fibras pode favorecer constipação, alteração do hábito intestinal e sensação de estufamento. A longo prazo, a preocupação é ainda maior, porque as fibras participam de mecanismos importantes para a manutenção da saúde intestinal e metabólica”, ressalta.

 

Equilíbrio também entra na conta 

A popularização do whey e dos alimentos enriquecidos com proteína também levou o nutriente para produtos que vão muito além dos suplementos esportivos. Mas o destaque na embalagem não deve ser interpretado como um selo automático de alimentação saudável.

Gabriela explica que o whey é uma fonte prática, concentrada e de boa qualidade de proteína e pode ser útil para quem encontra dificuldade em atingir a necessidade diária apenas com a alimentação. Isso, entretanto, não significa que o suplemento ofereça a mesma variedade nutricional de uma refeição completa. “Uma refeição composta por arroz, feijão, vegetais e uma fonte proteica fornece fibras, vitaminas e minerais, além da própria proteína”, compara.

O mesmo raciocínio vale diante das prateleiras. “Um alimento ou suplemento ser chamado de ‘proteico’ não significa automaticamente que seja saudável. Existem produtos ultraprocessados com bastante proteína, mas também com excesso de açúcar, gordura, sódio e adoçantes. Não podemos classificá-los como saudáveis apenas por serem proteicos”, pontua.

 

Quando é hora de rever o prato? 

Mesmo uma alimentação que parece saudável pode dar sinais de que perdeu o equilíbrio. Constipação intestinal, distensão abdominal, sensação de má digestão, cansaço, fadiga e dificuldade para sustentar os treinos estão entre os indícios que merecem atenção.

Outro alerta aparece quando a chamada “comida de verdade” começa a perder espaço para barrinhas, shakes, snacks e outros produtos industrializados enriquecidos com proteína. A monotonia alimentar e o consumo elevado de carnes processadas, queijos e outros alimentos que também podem concentrar gordura saturada e sódio completam a lista de cuidados.

Um dos pontos que mais merece atenção é quando a busca por proteína começa a limitar a variedade do cardápio e comprometer o equilíbrio das refeições. “O principal sinal de alerta é quando a pessoa passa a montar a alimentação em torno da proteína, e não de uma dieta equilibrada. Devemos nos preocupar em consumir a quantidade adequada de proteína dentro de uma alimentação que continue sendo nutricionalmente completa”, finaliza a nutróloga Gabriela Adamy de Lírio.

 

Sobre o Centro Médico do Catuaí Shopping Cascavel

Integrado ao maior shopping do Oeste do Paraná, o Centro Médico do Catuaí Cascavel reúne clínicas de referência em múltiplas especialidades, incluindo neurologia, cardiologia, oftalmologia, ginecologia, odontologia e vacinação, além de um completo centro de diagnósticos por imagem (tomografia, ressonância, radiografia). O complexo conta com operações como Baroxymed Vacinas, Centro Médico Gastroclínica, Hospital de Olhos de Cascavel, Neuroclínica, Nossa Saúde, Pró Cardio, Raiou Odonto, Unitom, Ultramed, Casa da Vacina e Clínica de Escoliose Dra. Marinês Toigo. Além da assistência médica, o espaço oferece serviços voltados à qualidade de vida, como a academia Arms Gym, a Loja do Atleta e a clínica de estética Aesthetic. 

 

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