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13/06/2017



O PAPEL DO VAREJO NA ECONOMIA BRASILEIRA


Estudo consolida dados de diversas entidades representativas do setor e revela o real impacto do varejo na economia brasileira

Por Ticiana Werneck, da Abrasce


 

A SBVC (Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo) acaba de divulgar a segunda edição do estudo “O Papel do Varejo na Economia Brasileira”. A análise mostra que o varejo total impacta 47,4% do PIB brasileiro, enquanto o varejo restrito (excluindo automóveis e materiais de construção) representa 23,62% do PIB, com um volume total de R$ 1,4 trilhão em 2015.

Convivendo com dois anos de forte declínio nas vendas (-4,3% em 2015 e -6,2% em 2016), o varejo vem passando por um momento importante de transformações. “A crise fez com que a agenda de produtividade e eficiência ganhasse relevância em todo o mercado”, comenta Eduardo Terra, presidente da SBVC. “Ao mesmo tempo, a digitalização e a integração online/offline são aspectos cada vez mais importantes da estratégia das empresas e propiciam o desenvolvimento de novos modelos de negócios, aumentando a competitividade e demandando ainda mais eficiência e velocidade”, analisa.


Panorama dos últimos 10 anos


Fonte: SBVC

O estudo traz dados dos principais segmentos de varejo, entre eles os shoppings, com dados levantados pela Abrasce. Associações de outros segmentos também colaboraram com o levantamento, como é o caso de bares e restaurantes, supermercados, franquias, materiais de construção e e-commerce. “As principais entidades que representam o varejo nacional contribuíram com a formulação dos conceitos, definições e classificações e trouxeram para o estudo seus dados e estatísticas para que organizados possamos ter um entendimento mais claro e detalhado do papel do varejo na economia brasileira”, comenta Terra. O grande mérito do estudo é consolidar critérios e dados, que antes eram divulgados de forma isolada,  tornando possível mostrar em detalhes um retrato do passado recente do setor e uma análise da situação atual.



 

Portal da Abrasce - O varejo nos últimos anos foi um setor protagonista no desenvolvimento do Brasil apresentando durante dez anos um crescimento consistente e que impulsionou o PIB Brasileiro. Na sua visão, o governo reconhece esse protagonismo do setor?

Eduardo Terra – Não reconhece ainda. Se compararmos o varejo com outros setores como indústria ou agronegócios veremos que a distância ainda é desproporcional. O varejo é o segundo maior empregador do Brasil, perdendo apenas para o próprio governo.

De acordo com o IBGE na pesquisa mensal de emprego o varejo emprega atualmente 19,1% dos trabalhadores formais brasileiros. Tendo como base a quantidade de trabalhadores empregados atualmente o varejo emprega aproximadamente 17 milhões de brasileiros. O impacto do setor no PIB também é forte, 47,4%. Entretanto ainda temos pouca representatividade política, apesar disso esteja melhorando.

 

Portal da Abrasce - Desde 2014, em função do novo contexto econômico brasileiro, o setor passou por uma forte desaceleração. Como você avalia a discussão, junto aos diversos órgãos do poder executivo e legislativo, das medidas e políticas que mantenham a força e a saúde do setor?

Eduardo Terra – Em 2014 o varejo parou de crescer, já em 2015/2016 sofremos uma tempestade com a retração do mercado devido à crise. O impacto teria sido bem menor se tivéssemos tido políticas públicas de incentivo, como políticas de crédito, reformas trabalhista, fiscal e previdenciária, o que daria uma injeção de produtividade no setor impactando a economia.

No entanto, desde 2014, vem se buscando discutir junto aos diversos órgãos do poder executivo e legislativo medidas e políticas que mantenham a força e a saúde do segmento.

 

O emprego no varejo


Fonte: SBVC


Portal da Abrasce - Em sua visão, quais devem ser os passos para o setor deslanchar frente à crise? E para ganhar maior representatividade no PIB?

Eduardo Terra – 2017 será um ano de estabilidade, de ajustes, e a partir de 2018 se inicia um crescimento sustentável com um novo ciclo de expansão. Para ganhar ainda mais representatividade, precisamos de ajustes macroeconômicos e reformas, principalmente a trabalhista. O Varejo é um setor de mão-de-obra intensiva, então precisa de reforma trabalhista para devolver produtividade, já que, entre outras mudanças, tem a proposta de escalas mais compatíveis com a necessidade das empresas varejistas – jornadas flexíveis de acordo com a sazonalidade.  

 

Portal da Abrasce - O varejo brasileiro é unido?

Eduardo Terra – Hoje o setor busca a união, evoluímos muito e percebo um diálogo frutífero entre entidades, o que fortalece a todos.

 

Portal da Abrasce - Ao realizar a pesquisa, quais temas mais chamaram sua atenção?

Eduardo Terra – O tamanho e o impacto do varejo na economia brasileira. Isso é algo alardeado, mas quando elencamos os dados e traçamos quanto o setor impacta o PIB, 47,4%, vemos o quanto movimenta a economia interna.

 

Portal da Abrasce - Ao realizar a pesquisa, quais eram as motivações? Os objetivos foram atingidos?

Eduardo Terra – Sim, conseguimos organizar as informações que chegavam de muitas fontes diferentes com critérios diferentes em um padrão e assim ter uma melhor visão do setor. Essa visão facilita a discussão de políticas públicas e setoriais.

 

Portal da Abrasce - Sobre os shoppings, segmento a que o estudo reserva espaço, como o segmento pode atuar mais fortemente para uma maior visibilidade?

Eduardo Terra – O varejo e os shopping centers têm uma relação umbilical, não existe um sem o outro. E essa relação tem amadurecido com o avanço de discussões internas que colocam a ambos em um novo patamar.