Imprensa / Notícias do Setor / Notícias do setor

07/06/2017



DOIS DIAS PARA DISCUTIR A SEGURANÇA EM SHOPPING CENTERS


Promovido pela Abrasce, o Seminário de Segurança contou com um dia repleto de discussões relevantes e outro dedicado a uma simulação de crise em shopping center

Por Ticiana Werneck, da Abrasce


 

Promovido pela Abrasce, o Seminário de Segurança recebeu em São Paulo cerca de 300 representantes das áreas de segurança dos shoppings centers nos dias 06 e 07 de junho.

Discussões de alto nível marcaram o primeiro dia do evento no Hotel Bourbon Ibirapuera. Profissionais de segurança dos shoppings de todo País lotaram a sala plenária para ouvir debates e discussões de temas relevantes para o setor.

Na abertura do evento, que está em sua terceira edição, Glauco Humai, presidente da Abrasce, mencionou os três pilares principais da associação: Defesa da Indústria, com a interlocução direta com o poder público; Inteligência de Mercado, com a produção de pesquisas e monitoramento do setor; e Qualificação, na forma de cursos e eventos, onde se dissemina conhecimento para a evolução do setor. Nesse último pilar, o Seminário de Segurança é um dos muitos encontros realizados pela Abrasce durante o ano.

Glauco Humai, presidente da Abrasce, faz a abertura oficial do evento

Voltado exclusivamente ao tema da segurança, o evento é importante, segundo Humai, pois joga luz sobre um dos grandes chamarizes de um shopping. “Conveniência, conforto e segurança são os grandes motivos que levam uma pessoa a um shopping. E hoje, segurança é uma preocupação do brasileiro”, disse.

A discussão do tema segurança, entretanto, não está restrita a um dia. A Abrasce mantém um Comitê de Segurança, formado por profissionais do setor, que se reúne de forma permanente durante o ano, propondo novas ideias e soluções. 

Cátilo Cândido, Diretor de Assuntos Institucionais da Abrasce, também subiu ao palco para falar sobre os desafios da segurança no Brasil. Ele usou dados do recém-divulgado Atlas da Violência 2017, divulgado pelo Ipea, para mostrar a escalada dos crimes no País. “O shopping center não é uma ilha perfeita no meio da desordem, e recebemos um total de 440 milhões de pessoas em nossos shoppings todos os meses, o que exige de cada equipamento uma dedicação enorme à segurança”, comentou.


Cândido recebeu ao seu lado no palco, o Secretário Adjunto de Segurança de São Paulo, Sérgio Turra. “Temos no Estado de São Paulo um quarto da população do País, cerca de 45 milhões de pessoas, e segundo o Atlas da Violência, tivemos a maior redução da taxa de homicídios entre os estados pesquisados”, comentou Turra. Uma das explicações são as políticas sociais que têm tirado os jovens da ociosidade.

O avanço da tecnologia é mais uma ferramenta para apoiar as equipes de segurança, mas segundo Cândido não substitui o olhar do homem. “A percepção do profissional de segurança é insubstituível”, disse.

Turra falou também sobre a importância da parceria entre o Estado e a iniciativa privada no combate à violência. “A cooperação é importantíssima”, frisou. Um dos exemplos de cooperação é o Sistema Detecta, um projeto do Estado que integra dados das polícias Militar, Civil e Científica, assim como o Detran. Isso significa que os dados, unificados, ficam disponíveis em uma plataforma facilitando e agilizando buscas e análises – inclusive imagens de câmeras de radar captadas pelo Detran. “Assim, além de multar infratores, os radares passam a ter uma função social fazendo a leitura de placas de carros envolvidos em crimes. A informação leva apenas 4 segundos para ser emitida”, comentou. “A iniciativa privada também pode colaborar com o projeto enviando dados e imagens”, disse.

Na sequência, o Seminário de Segurança deu espaço para a discussão do tema Gestão de Crise. Vilemar Ferreira, gerente de Segurança da Jereissati Centros Comerciais, mediou o debate que reuniu outros especialistas em segurança. “No início, o shopping envolvia apenas vendas. Mas, hoje, o entretenimento é um grande foco e com isso as equipes de segurança tiveram que evoluir para dar conta do fluxo crescente. Apesar de ser um empreendimento privado, o shopping é de uso público mas não há controle de acesso de quem entra”, disse. É justamente esse fator, o inesperado, que preocupa os especialistas em segurança de shopping. “Para todas as possibilidades precisamos traçar um paralelo entre impacto e probabilidade. Muitas vezes a probabilidade é zero, o que não significa que ela não ocorrerá”, provocou Guilherme Lockman, sócio da área de Risk Advisory da Deloitte.

Por isso, para José Paulo Melhado, coordenador de análises da Agência Brasileira de Inteligência, a análise de risco é tão importante. “O desenho de um bom manual e análise de risco não é apenas uma ferramenta de trabalho fundamental, mas uma forma de se comunicar com todas as outras áreas internas do mall. A forma como esta comunicação interna vai fluir é que determinará o quanto o shopping está preparado para lidar com as ameaças”, comentou. Alexandre Judkiewicz, diretor de operações do Grupo GR, corroborou: “Em segurança, planejamento é tudo. Quando as áreas cooperam entre si, cada uma sabe sua atribuição na hora da ocorrência, não há novidades. Sozinho não se gerencia risco”, disse Judkiewicz. Entretanto, ele defende que é o profissional de segurança quem deve liderar esse movimento de cooperação, coordenando iniciativas e angariando apoio.

No painel seguinte, sobre “Inteligência e Táticas de Segurança em Shopping Centers”, Marco Leoni, coordenador de operações e gestor de segurança do Barra Shopping Sul, falou com os debatedores sobre a importância da especialização dos profissionais, dos investimentos em tecnologia, e da cooperação entre os shopping centers no compartilhamento de informações. “O uso da inteligência é primordial, e nessa hora os shoppings devem deixar sua concorrência de lado e trocar informações, cooperar uns com os outros para aumentarmos nosso conhecimento e todos estarem mais seguros”.

O primeiro dia do Seminário contou ainda com debates sobre “Métodos de Prevenção de Riscos e Crises”, “Aspectos do Direito Penal nas Operações de Shopping Centers”, e um fechamento com Marcos do Val, instrutor especialista da SWAT, que compartilhou com a plateia sua experiência no setor.


Marcos do Val, instrutor especialista da SWAT

O dia seguinte começou cedo. Por volta das oito da manhã, o grupo se reuniu no Atrium do Shopping Eldorado para acompanhar o Simulado de Segurança, realizado pelo comitê de crise do mall, em parceria com os Bombeiros, Hospital das Clínicas e Polícias Civil e Militar – contou também com a participação de figurantes que atuaram como vítimas. O exercício ocorreu antes da abertura do shopping, e contemplou a seguinte situação: uma explosão leva a crer que trata-se de um assalto a caixa eletrônico, mas em seguida suspeita-se de ataque terrorista. As equipes trabalharam orquestradas tanto para socorrer as vítimas – uma, inclusive, foi removida para o Hospital das Clínicas de helicóptero - como para isolar o local e dirimir os riscos para o restante do empreendimento.

Essa prática, de simulação de crise, acontece também em outros shoppings no Brasil, como forma de se planejar frente o inesperado. Nelson Junior, gerente de segurança do Eldorado/Ancar Ivanhoe, comentou o quanto o exercício é valioso. “Realizamos anualmente este treinamento, que é um aprendizado tanto para nossa equipe de segurança quanto para a força policial que atua em conjunto. Hoje, as equipes não sabiam o que encontrariam pela frente e tudo ocorreu da forma mais realista possível. Tudo correu conforme o planejado”, comemorou.