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17/03/2017



AR-CONDICIONADO: EQUILIBRE AS CONTAS E A TEMPERATURA


Como gerir o ar-condicionado, um dos fatores que mais encarecem a conta de um shopping center, sem prejudicar a experiência do consumidor



Em dias de frio, ninguém lembra dele. Mas, quando o calor aperta, o ar-condicionado é o primeiro item a ser olhado pelos consumidores de um shopping center. E também é o primeiro item de preocupação dos empreendimentos, uma vez que ele pode representar de 30% a 60% do consumo de energia de um shopping, dependendo das condições dos equipamentos. Como gerenciar esse fator equilibrando custos sem afetar a experiência do cliente? A resposta não é das mais simples, mas é essencial. Manter o sistema de refrigeração na temperatura certa é uma missão desafiadora, que requer uma equipe de manutenção afiada e gestores de operação atentos às novidades do mercado.

“A operação adequada demanda profissionais qualificados. Uma má qualidade da manutenção pode refletir em um maior consumo de energia”, afirma Edson Ferrara, gerente de serviços de energia da Trane, empresa de ar-condicionado. “No verão, o consumo chega a aumentar em até 30% em relação a temperaturas mais amenas, dependendo das características construtivas do empreendimento. Portanto, o sistema de ar-condicionado é, sem dúvida, um dos principais pontos a serem analisados quando pensamos em controle de custos”, afirma o executivo.

Daniel Fraianeli, gerente de produto da LG, afirma que os custos de um ar-condicionado podem variar bastante, pois eles dependem da solução de climatização escolhida – cogeração, termoacumulação, soluções de água gelada mais simples. “A temperatura poderá afetar o consumo, mas também poderá sofrer a influência de outros fatores, como a solução escolhida ou a arquitetura. Por exemplo, chillers com condensação a ar podem perder eficiência em temperaturas muito altas. A presença de janelas ou áreas envidraçadas também será determinante no impacto causado por altas temperaturas ambientes”, explica.

Ele explica que sistemas de ar-condicionado com condensação a água terão desempenho mais estável em relação a altas ou baixas de temperatura, mantendo o custo com energia e capacidade de climatização de acordo com a média, mesmo em períodos de alta temperatura. Já para Joel Ayres da Motta Filho, diretor Comercial da JAM Engenharia de Ar Condicionado, os equipamentos estão deixando de ser os grandes vilões do consumo de energia dos empreendimentos. “Os sistemas de ar atuais são bem evoluídos, gastam menos energia e podem ser associados à automação predial, permitindo não só o controle da temperatura, como também seu uso para outras funções, como geração de água quente a partir do calor rejeitado do ar condicionado para as áreas de banhos, cozinha e lavanderias. Tudo isso sem comprometer a qualidade do ar e contribuindo para reduções significativas do custo energético”, explica.

A empresa atua desde o início da obra. Dessa forma, diz o executivo, há ganho de tempo e recursos para o empreendimento. “ A economia de energia pode chegar até 50% em empreendimentos que alcançam os padrões internacionais e têm construções sustentáveis, que primam pela eficiência energética”, analisa.

 

Como gerenciar

“O shopping precisa ter boas estratégias de automação para garantir que o sistema funcione sempre dentro das melhores condições operacionais possíveis e boas práticas de manutenção para que, em períodos de altas temperaturas, os equipamentos estejam 100% disponíveis para a operação”, alerta Cristiano Brasil, coordenador de Aplicação da Midea Carrier. “Quando ações como essas não são adotadas, podem ocorrer problemas justamente nos períodos em que o equipamento é mais exigido, fazendo com que os custos de manutenções emergenciais aumentem o gasto dos lojistas. Além disso, se o equipamento estiver fora de operação, alterando a temperatura do shopping, os clientes ficarão insatisfeitos”, atesta. Atenção na hora de equilibrar a temperatura é fundamental.

“A melhor maneira de gerenciar essa diferença de custo é prever um sistema que possa trabalhar com várias matrizes energéticas, para que, com a escassez de uma delas, seja possível contar com outra que tenha um preço de mercado compatível com a normalidade”, explica Motta Filho, da JAM. “A melhor técnica a ser adotada é a otimização de um sistema eficiente para que o condomínio seja o mais baixo possível e, consequentemente, leve o lojista a ter melhores resultados”, acredita.

Para cuidar dos equipamentos sem afetar a experiência do cliente, os especialistas recomendam, primeiro, fazer a escolha correta dos equipamentos. Essa escolha deve levar em consideração as características arquitetônicas dos empreendimentos. Caso a arquitetura do prédio exponha o interior do shopping à insolação (como áreas envidraçadas), o ar-condicionado, qualquer que seja a solução adotada, irá trabalhar mais próximo da capacidade máxima, aumentando os custos operacionais. “Por isso, soluções de arquitetura também serão importantes na concepção do prédio, com o uso de vidros mais eficientes e telhados verdes, entre outros”, afirma Fraianeli.

Além dos vidros, portas menores, de preferência com antecâmaras, sistemas de controle de vazão e temperatura nas lojas ajudam a economizar, afirma Motta Filho. Para obras existentes, diz Ferrara, da Trane, é fundamental que se faça uma análise energética do sistema. “É comum encontrarmos situações em que o consumo de energia de ar condicionado sofre uma redução expressiva depois de uma modernização do sistema”, afirma.

Escolher equipamentos novos, mais eficientes, também ajuda a economizar. “Os equipamentos de ar-condicionado mais modernos têm alcançado níveis cada vez mais elevados de eficiência energética. Uma vez definida uma arquitetura eficiente, um estudo mais detalhado das opções de ar-condicionado – utilizando, se possível, simulações por computador – poderá ainda revelar grandes ganhos de custos operacionais ao longo do ano”, considera Fraianelli, da LG.

O segundo ponto é alinhar o time. “Um bom programa de manutenção preventiva com profissionais especializados é primordial, bem como o emprego de um sistema de automação. Esses fatores irão garantir que as condições de projeto sejam mantidas e que os equipamentos operem de forma segura e eficiente, garantindo conforto térmico aos consumidores”, afirma Ferrara.

 

Tecnologia ajuda

Investir em tecnologia também é fundamental para que o controle de custos dos equipamentos de ar-condicionado não interfira na experiência do consumidor. “Já existem soluções de automação que podem associar o fluxo de clientes ao controle de vazão de ar, à temperatura de insuflamento e à operação de centrais de água gelada, entre outras”, afirma Brasil, da Midea Carrier.

De acordo com Ferrara, os grandes avanços estão nas novas tecnologias eletrônicas de controle embarcadas nos equipamentos, que otimizam a operação e aumentam a segurança. Já os sistemas de automação permitem acessos via web, com telas gráficas intuitivas e controladores wireless que facilitam a instalação, principalmente em obras já existentes. “Variadores de frequência nas bombas de água gelada e ventiladores dos fancoils irão garantir que os fluxos de água e ar sejam controlados em função da demanda de carga térmica do shopping, garantindo que a quantidade de frio gerado atenda à curva de demanda instantânea, evitando assim o desperdício de energia”, completa.

Além disso, vários fabricantes de sistemas de automação podem facilitar a operação dos equipamentos, com lógicas de sequenciamento. “Os mais indicados são os sistemas de automação dedicados, idealizados pelos próprios fabricantes dos equipamentos, que conseguem extrair mais informações dos equipamentos e, consequentemente, otimizam a operação com melhor resultado em termos energéticos”, afirma Ferrara.

Segundo ele, o retorno do investimento em sistemas de automação se dá de um ano e meio a dois anos e meio, dependendo do grau de automação empregado. Já Brasil afirma que o ROI para essas soluções vai depender do tamanho da instalação e do grau de criticidade adotado, entre outros fatores.

O que as empresas estão fazendo para inovar? A Midea Carrier, por exemplo, possui um portfólio extenso para adaptar os equipamentos às necessidades específicas de cada cliente. A empresa foi a responsável pela instalação do sistema nos shoppings Manaíra e Mangabeira, no Nordeste, onde foi instalado um Chiller 23XRV. “Além de proporcionar aos nossos clientes robustez e altíssima eficiência energética, traz baixíssimos custos de manutenção. O compressor desse modelo de equipamento é projetado para até 500 mil horas de operação, livre de intervenções mecânicas e paradas indesejadas”, explica Brasil.

De forma geral, investir em sistemas inteligentes de alta eficiência é fundamental para equilibrar temperatura e custos. “Se imaginarmos que a vida útil prevista de um sistema de ar-condicionado gira em torno de 20 anos e que a decisão do investimento inicial irá afetar todos os custos de operação, consumo de energia e qualidade do conforto térmico dos usuários durante todo esse tempo, é fundamental que a escolha do sistema seja pautada em qualidade e eficiência”, afirma Ferrara. Para ele, o investimento inicial, que compreende equipamentos e instalação, é apenas a ponta do iceberg, quando somado aos custos de operação e consumo de energia durante toda a vida útil do equipamento. Atentar para o que não está visível no primeiro momento é a receita para garantir que a conta feche.


Matéria publicada na revista Shopping Centers, da Abrasce