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01/02/2017



SHOPPINGS E FRANQUIAS: UMA FORTE PARCERIA EM 2017


Redes de franquias com intensa presença em shopping center contam sobre seus planos de expansão em 2017

Por Ticiana Werneck

 

Mesmo com o impacto da desaceleração econômica, o setor de franquias conseguiu manter o ritmo. Registrou crescimento de 8,8% em sua receita no 3º trimestre de 2016 segundo dados da ABF – Associação Brasileira de Franchising.

Para Cristina Franco, presidente da ABF, o franchising tem resistido em função do trabalho em rede, que possibilita a franqueadores e franqueados obter ganhos em escala, maior flexibilidade e capacidade de negociação com fornecedores. “Frente a um cenário dos mais desafiadores, as redes buscaram alternativas, como promoções, campanhas de incentivo, revisão de mix de produtos, renegociação com fornecedores, identificação de novos mercados e até o desenvolvimento de novos modelos de negócios”, afirma ela.

Tais trunfos explicam a presença maciça das redes de franquia entre os destaques dos noticiários de varejo: a expansão delas é assunto recorrente. E as novas lojas, em sua maioria, estão nos shopping centers. 


A Patroni, considerada a maior rede de pizzaria do país, é um exemplo emblemático. Das 210 lojas, 206 estão em shopping. Para 2017, a expansão em malls continua, principalmente em cidades em que a marca ainda não está presente.

Segundo Luiz Cury, diretor de franquias da Patroni, antes de escolher o shopping para instalar a nova loja, a rede toma alguns cuidados. “É preciso analisar se o público consumidor do mall está em sintonia com o perfil dos produtos e serviços ofertados pela marca. Vemos muitas empresas somente querendo marcar presença sem analisar o potencial de vendas e por consequência a saúde financeira e perenidade do negócio”, diz.

Para ele, focar a expansão da rede em shoppings foi um caminho natural. “As praças de alimentação de shoppings são uma das melhores opções de vendas para o nosso segmento”, diz ele. A parceria é boa para os dois lados. Ele conta que “a marca é procurada pelos novos empreendedores e sempre reserva os espaços logo no início da comercialização, visando ter o melhor local na praça”.

Há outros fatores que explicam a preferência da marca pelo shopping: “O prazo de retorno do investimento de uma loja em shopping é mais rápido do que uma unidade de rua na qual temos que investir muito em divulgação, papel que os shoppings realizam e acabamos sendo beneficiados”, conta Cury.

Para ele, o shopping é hoje um grande destino de lazer. “O setor de alimentação e as redes de franquias se beneficiam muito desse fluxo de pessoas. O fluxo também atua como um canal indireto para expansão, pois atrai novos investidores que desejam se tornar franqueados”, comenta.

A rede de vestuário infantil Tip Top possui 110 lojas - 105 estão em shopping. Em 2016, inaugurou o novo formato de quiosque. “Vamos expandir este formato em 2017, que requer um menor investimento, em novas localidades”, diz Ricardo Marcondes, gerente de expansão da Tip Top.

Ele corrobora com Cury e credita ao fluxo de pessoas um dos maiores benefícios de se instalar em um shopping. “Do ponto de vista do lojista, encontramos no shopping um fluxo de pessoas maior e mais direcionado para o consumo, além de termos outras marcas importantes que ajudam a atrair os consumidores”, diz.

A opção de focar a expansão em shopping centers foi uma estratégia adotada pela franqueadora por entender que, assim, o negócio possui menos riscos. “Entendemos também que no nosso modelo tradicional, lojas até 50m2, o poder de atração de rua fica comprometido”, reforça Marcondes.



Na rede Sóbrancelhas, a presença maciça em shoppings centers foi uma estratégia de expansão. “Quando criamos a Sóbrancelhas, percebemos que, embora o segmento de estética estivesse em um excelente momento, ainda existiam lacunas a serem preenchidas”, comenta Jonathan Bernardes, diretor de expansão.

Até então, o mercado atuava em sua maioria com clínicas de estética em lojas de rua. A rede optou por direcionar o serviço para a mulher que trabalha, estuda, tem filhos, enfim, possui uma vida agitada. “Levamos nossa operação para os shoppings centers, locais de grande fluxo, pois lá ela pode resolver várias demandas da rotina e tem ainda a oportunidade de se cuidar, nem é preciso marcar hora”, explica Bernardes. Hoje, a rede conta com 175 operações, sendo 128, em shopping centers.

Bernardes conta que há diferença entre a performance dos franqueados de malls e os de rua. “Embora a capacidade de produção seja a mesma, 80% de nossas operações nos malls atingiram seu ponto de equilíbrio já em seu primeiro mês de atuação. Nas lojas de rua, o prazo é a partir de três meses, em média”. 


A rede portuguesa Arranjos Express, especializada em customizações e ajustes de roupas, possui 95% de suas unidades localizadas em shopping centers. Paulo Alexandre, fundador, explica as razões: “A facilidade em obter parcerias com lojistas, a visibilidade para a marca que é conquistada dentro desses empreendimentos, o alto fluxo de pessoas e também o perfil de público”.

A forte presença em shopping foi uma estratégia de expansão escolhida pela franqueadora, uma vez que a marca quer se posicionar além dos serviços de ajustes. “Optamos por chegar ao Brasil com um formato adaptado para shoppings, nos pisos em que há presença de varejistas de moda, apostando na sinergia dos negócios”, diz ele.

Neste ano, a marca, que possui 63 unidades, quer estar presente em todas as regiões do Brasil e atingir um total de 130 lojas em operação e faturamento de R$ 50,4 milhões.

Para Sylvio Korytowski, diretor de expansão da HOPE, “shoppings consolidados dão segurança a quem inicia um processo de franquia de uma marca”. Foi assim com a Hope. “Precisávamos nos estabelecer nos territórios de mais visibilidade para a marca e dessa forma, tínhamos que focar nossa capilaridade nos shoppings mais importantes de cada região”, conta ele. A Hope possui 165 unidades – 153 estão em shopping.