Imprensa / Notícias do Setor / Notícias do setor

24/10/2016



NOVAS SOLUÇÕES DE ENGENHARIA TORNAM OS EMPREENDIMENTOS MAIS SEGUROS E SUSTENTÁVEIS


O que a construção de um novo sistema ferroviário inglês tem a ver com shopping centers? Tudo! Já ouviu falar em BIM? 




Um projeto grandioso tem chamado a atenção de quem atua na área de construção e engenharia. O Crossrail, sistema ferroviário que irá cruzar a cidade de Londres e será mais rápido que o metrô, é considerado o maior projeto em construção na Europa atualmente. Ele engloba 42 quilômetros de túneis, a criação de 10 novas estações e a melhoria de 30 já existentes até 2019. Um ponto relevante no projeto é a aplicação de uma inovação que tem contribuído para a integração de todas as informações da obra, como estudos de traçado, estrutura, custos e prazos, o Building Information Modeling (BIM, ou Modelagem de Informação da Construção).

 

Mas o que isso tem a ver com shopping center? Tudo. A tecnologia BIM permite estabelecer a comunicação entre as equipes ampliadas de projeto e construção, oferecendo informações coerentes e confiáveis para todo o escopo do empreendimento. “A parte de integração de sistemas de engenharia é a grande evolução que se tem hoje”, comenta Paulo Sobreira, diretor da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia (ABCE). O executivo afirma que a ferramenta é essencial principalmente para shopping centers que lidam com lojistas diferentes, e cada qual com uma demanda. “O BIM permite ter todas as informações do empreendimento nas mãos, associando imagens e informações em um banco de dados. Com isso há menos interferências, refazimento de lojas etc.”, exemplifica. A ferramenta ainda auxilia na manutenção do dia a dia, pois tem o cadastro de todos os materiais usados no shopping.

 

Um entrave para o uso do BIM, porém, é o preço. “Cabe ao cliente perceber a importância disso para a indústria. Há sistemas de melhoria de operação, engenharia e gestão, mas existe a necessidade de convencimento dos empreendedores de que eles devem demandar que os projetos sejam feitos baseados nesse conceito”, aponta Sobreira.

 

Adotado em larga escala pela indústria da construção em países da Ásia, América do Norte e Europa, o BIM aos poucos vai ganhando espaço entre as construtoras brasileiras. Empresários, engenheiros e arquitetos têm percebido os ganhos que o processo BIM oferece em termos de qualidade, eficiência, produtividade e retorno financeiro. No setor de shopping centers, o Cantareira Norte Shopping, recém-inaugurado em São Paulo, adotou a ferramenta em seu projeto.

 

 

Além do BIM

 

Outras soluções além da tecnologia foram implementadas pela área de construção e engenharia nos últimos anos visando a tornar as edificações mais seguras, eficientes e também sustentáveis. Uma solução estrutural que vem ganhando mercado é a estrutura mista, em que se utilizam aço e concreto simultaneamente. “Ela proporciona otimização do tempo de obra, uma vez que os produtos chegam conforme a necessidade da construção”, explica Marcos Faraco, diretor de marketing e vendas da Gerdau. Segundo ele, a utilização da solução industrializada traz diversos ganhos para o empreendimento. “Além de usar o aço, que é um material 100% reciclável e com certificação de qualidade, a solução da Gerdau proporciona a redução de resíduos, uma vez que é produzida sob demanda, descartando a necessidade de um canteiro de obras. Além disso, traz agilidade para o projeto, facilitando as alterações estruturais e a ampliação de áreas”, completa. Entre os shoppings brasileiros que utilizaram essa técnica de construção mista está o Shopping Estação BH, em Belo Horizonte.

 

Outro ponto é que o atual cenário brasileiro exige que os empreendimentos gerem retorno o mais rápido possível aos investidores. Além da tecnologia, é preciso estar atento à aceleração de processos construtivos, fazendo com que as obras sejam realizadas em menor prazo e com menos desperdício. Manoel Miguel Neto, gerente de contratos da Hill International, aponta que, entre as atividades que agregam maior valor de engenharia, estão sistemas pré-fabricados de superestrutura e fundações, buscando a montagem de pré-modulos estruturais nas maiores dimensões transportáveis possíveis; sistemas de geração e cogeração de energia, otimizando o consumo de energia em iluminação, refrigeração, e mecânicos; e a domótica, comunicação e inteligência predial, por meio de soluções que otimizem a quantidade de mão de obra de operação, monitoramento e manutenção do empreendimento.

 

 

O executivo ainda revela que, para a redução de custo da operação do shopping, é necessário incorporar desde a fase inicial dos projetos as premissas de sustentabilidade. “Os resultados disso serão colhidos futuramente na diminuição dos custos de operação, em menor impacto ambiental e reconhecimento do empreendimento como sustentável, podendo chegar a um processo de certificação”, comenta.

 

 

 

Na prática

 

De forma geral, as empresas que atuam na indústria de shopping centers têm buscado implantar atitudes sustentáveis visando a operar com mais eficiência. Um exemplo vem da Tenco Shopping Centers, que criou o conceito Garden, do qual faz parte o tripé economicamente viável, ecologicamente correto e socialmente justo, para implantar e consolidar as melhores práticas de gestão socioambiental.

Os principais itens sustentáveis que estão agregados à construção e à operação dos shoppings da Tenco são:

 

Eficiência Energética

·         Escadas rolantes e elevadores com sistemas economizadores de energia;

·         Iluminação natural através de claraboias;

·         Vidros de alta performance (deixam passar a luz natural mas não o calor);

·         Superfícies de cobertura e estacionamento claras, objetivando aumentar a reflexão da luz e, consequentemente, a redução do ganho de calor da edificação (redução na conta de energia);

·         Revestimento externo com painéis termoisolantes de alta performance;

·         Shoppings com 100% de iluminação em LED;

·         Utilização de tanque de termoacumulação no sistema de ar-condicionado; ·         Automação da iluminação de mall e estacionamento com fotossensores.

 

Eficiência Hídrica

·         Reutilização de águas servidas (ETE);

·         Válvulas, bacias sanitárias e torneiras economizadoras de água (reduzem a vazão, arejadores);

·         Mictórios secos (tecnologia que dispensa o uso de água);

·         Piso verde no estacionamento, que permite maior percolação de água, o que não onera a rede de águas pluviais da cidade.

 

Outras

·         Gerenciamento dos resíduos sólidos do empreendimento;

·         Reciclagem do lixo gerado.