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13/09/2016



“TODOS NÓS QUEREMOS SABER O RUMO DA NOSSA HISTÓRIA, MAS A LAVA JATO SOZINHA NÃO MUDARÁ O PAÍS”



Por Ticiana Werneck

 

A guerra contra a corrupção foi o centro do debate “Operação Mãos Limpas e seus paralelos com o Brasil”, que contou com a participação de Deltan Dellagnol, procurador do Ministério Público Federal; Antonio Di Pietro, promotor público da Operação Mãos Limpas da Itália, e Fernando Abrucio, professor FGV. A mediadora foi a jornalista Andreia Sadi.

A italiana “Mãos Limpas”, ocorrida em 1992, foi a operação que inspirou a nacional “Lava Jato”, instaurada em 2014.

A operação italiana, uma das maiores investigações anticorrupção da história europeia, assim como a “Lava Jato”, foi impulsionada pela delação premiada.

“Sempre gosto quando me pedem para participar de debates sobre investigações contra corrupção. Eu vou porque minha experiência pode ser útil para outros países”, comentou Di Pietro.

“Todos pensam que na Itália, a máfia é como nos filmes. Mas a máfia verdadeira agora não usa mais a violência, ela atua por meio de contratos e licitações envolvendo dinheiro público. Não é uma organização criminosa contra as instituições, ela está DENTRO das instituições, na forma de deputados, empresários, senadores...”, disse o promotor italiano.

Para Abrucio, a Lava Jato foi e vem sendo uma ação muito forte contra a impunidade, mas não vai durar para sempre: “É meu papel reforçar que o maior legado desta operação vai depender do que iremos fazer com o sistema político daqui por diante. As leis serão mudadas?”. Segundo ele, a forma como a administração pública funciona hoje é um convite à ilegalidade.

“Todos nós queremos saber o rumo da nossa história, mas a Lava Jato sozinha não mudará o País”, declarou Dallagnol, referindo-se ao fato de que a operação apenas condena criminosos e recupera valores desviados. “A corrupção é um fenômeno multifacetado e conforme a investigação aumenta, envolvendo mais e mais gente, o sistema tende a se proteger, ou seja,´se todo mundo faz corrupção, ninguém faz´”, ponderou.

O desafio, segundo ele, é deixar de lado a vitimização e o sentimento de impotência. “A luta contra a corrupção é um esforço cívico de cada um de nós. Sozinho ninguém promove a mudança, cada um dentro de sua própria esfera de influência pode atuar com pequenos gestos”, disse.