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13/09/2016



DO BRASIL QUE TEMOS AO BRASIL QUE QUEREMOS


Este foi o nome da palestra de Luis Roberto Barroso, Ministro do Supremo Tribunal Federal hoje no Congresso Internacional de Shopping Centers

 

Por Ticiana Werneck

 


Em sua palestra hoje no Congresso Internacional de Shopping Centers, o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, falou sobre sua lista pessoal de dez itens que o Brasil mais precisa para a empurrar seu desenvolvimento civilizatório.

A agenda do ministro passou por itens como saneamento básico, educação, proteção ambiental, enfrentamento da corrupção e da cultura de impunidade, igualdade de oportunidades e previdência social. A reforma política é uma bandeira antiga sua. “Insisto nesse assunto há dez anos. Precisamos restituir o espaço que a política deve ter numa sociedade democrática”. Ele se refere à necessidade de baratear custos das eleições, reduzir número de partidos políticos, entre outras mudanças que desenhariam um novo modelo de atuação do Estado”.

A superação do preconceito contra a iniciativa privada também teve destaque em sua agenda. “Somos o País do oficialismo, do incentivo pelo financiamento público. Precisamos de menos Estado no Brasil, menos patrimonialismo”.

 

O funcionalismo público brasileiro também incomoda o Ministro. Temos 23.500 cargos em comissão, o que nos faz recordistas do mundo nesse quesito – os EUA, em segundo lugar, tem 8 mil, já a França 550. “Não há liberdade para escolher os melhores, a escolha é fisiológica. Isso não funciona. Precisamos urgente repensar tamanho do Estado pois não há mais como pagar a folha. O Estado está vivendo para suportar a burocracia e não para sociedade”.

Outro assunto que mereceu destaque foi o orçamento público. “É importante que todos saibam quanto vai ser investido em educação, saúde, etc. Esse debate não é feito no País. Não discutimos a alocação de recursos, as escolhas, tanto no momento da elaboração como no  acompanhamento da execução”, disse.

 

Mesmo com esta lista de dez desafios, Barroso é extremamente otimista. “O Brasil passou a existir de fato em 1808, quando a família real veio para o Brasil. Nessa época, não havia escola, estrada, comércio, dinheiro, e 98% da população era analfabeta. Olha como evoluímos em apenas 200 anos”, disse. “No intervalo de uma geração derrotamos a ditadura, a hiperinflação e a barreira da pobreza. Somos hoje uma das dez maiores economias do mundo, uma das maiores democracias de massa do mundo. Somos o maior sucesso do século 20. Os desafios pela frente não são tantos assim”, finalizou.