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25/08/2016



QUER ESTAR NA FRENTE? NÃO TIRE O OLHO DA CHINA



Por Ticiana Werneck

 

 

O mais recente estudo da consultoria PWC sobre o varejo, TotalRetail2016, recomenda: “para entender o futuro do varejo, olhe para a China”. A justificativa é simples: “nossos dados mostram que os chineses faziam, há muitos anos, o que os consumidores pelo mundo estão fazendo agora”.

 

A empresa entrevistou 23 mil internautas, de 25 países, para compreender até que ponto as compras pelo celular, a tendência do omnichanel e as redes sociais têm influenciado a inovação no varejo.

 

Em todos os quesitos, os chineses são, o que se convencionou de “early adopters” (expressão entendida, simploriamente, como “alguém que experimenta algo antes dos outros”) no quesito hábitos de compra. Foi assim com as compras online e agora com as compras mobile (via celular): 65% dos chineses responderam à PWC que compram online usando seus celulares, enquanto no resto do mundo esta média cai para 28%.

 

O estudo sugere que em breve o resto do mundo também adotará este comportamento.

 

Se esta é a realidade iminente, o estudo faz outras conjecturas para o varejo físico. Uma delas defende que a loja física será apenas mais um dos canais (somados a internet, telefone, celular, etc) que o consumidor visitará na sua jornada de compra. E a conversão dependerá muito do quanto estes canais estão interligados e sendo capazes de proporcionar, juntos, uma experiência atrativa. 

 

Assim, para o varejo físico resta aumentar o engajamento com a equipe de venda, criar técnicas de exposição de produtos cada vez mais modernas, e criar um ambiente vivo na loja, com atrações e novidades.

 

E vem justamente da China, país que tem hoje o maior número de shopping centers em construção no mundo, outras ideias que ventilam um pouco do que pode ser feito para reforçar o encantamento do ponto de venda.  

 

Segundo reportagem do jornal Wall Street Journal, os shoppings do país estão “inventando atrações exóticas” como forma de barrar o excesso de oferta e a queda no fluxo de clientes. O país é exemplo extremo dos problemas enfrentados por proprietários de shoppings centers ao redor do mundo, entre eles a dificuldade para alugar seus espaços e atrair consumidores.


Entre as atrações usadas pelos malls da segunda maior economia global, o jornal cita desfiles de moda, instalações de arte, exposições de animais, praias artificiais, parques de diversão para a família, melhorias nas opções de alimentação e mais plataformas para internet e aparelhos móveis. Há inclusive um mall, o Ba Li Chun Tian, que alugou a cobertura a um agricultor que organiza aulas para ensinar as crianças a cultivar seus próprios alfaces, repolhos e rabanetes. E outro, o Grandview Mall, em Cantão, que após a reforma de US$ 104,7 milhões, ganhou um aquário de 90 mil metros quadrados e recintos para abrigar animais do Polo Ártico e da Antártida, incluindo belugas, raposas, pinguins e um urso polar, além de uma estátua gigantesca do deus grego Poseidon.

A reportagem reforça um mantra já conhecido de longa data pelos profissionais do setor de malls, citando Joel Stephen, diretor sênior de varejo na Ásia da CBRE, consultoria do setor: “É uma tendência global oferecer mais experiências. Isso é mais prevalecente na China porque há mais shopping centers, daí uma necessidade ainda maior de se diferenciar”, disse ao Wall Street Journal.

 

As iniciativas brasileiras para atrair fluxo para os malls não são nada diferentes das chinesas. Por aqui, a prevalência de atrações para a família, espaços para convivência e conveniência são comuns nos maiores empreendimentos do País. Pelo menos neste quesito, podemos dizer que brasileiros e chineses estão na mesma página.