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12/08/2016



COWORKING NO SHOPPING CENTER


A tendência do ambiente de trabalho compartilhado vem ganhando cada vez mais espaço nos malls brasileiros; lá fora, até cabine telefônica vem sendo usada como mini-escritório

Por Ticiana Werneck

 

O coworking é uma nova forma de pensar o ambiente de trabalho, que segue as tendências do freelancing e das start-ups. Esses espaços – que oferecem toda a estrutura de um escritório tradicional por um valor menor que o aluguel de uma sala comercial - reúnem diariamente milhares de profissionais independentes que procuram um espaço em que possam desenvolver seus projetos sem o isolamento do home office ou as distrações de espaços públicos. Geralmente, oferecem  planos de pagamento baseados em horas de utilização ou um fixo mensal.

Segundo o Censo Coworking Brasil 2016, existem no País atualmente 378 espaços ativos de coworking - no mundo, estima-se que esse número chegue a 10.000.

O que se percebe é que qualquer lugar – mesmo – pode ser usado para coworking. Recentemente, a empresa Bar Works anunciou que está em negociação para transformar as icônicas cabines telefônicas britânicas – aquelas vermelhas que aparecem em cartões postais do país – em mini-escritórios. Seu CEO, afirmou que irá reformar as cabines – inserindo mesa e cadeira - e que elas serão equipadas com wi-fi, scanner e impressora; e cobrará taxas mensais dos usuários cadastrados.

Em Nova York, restaurantes de luxo vem oferecendo suas mesas como estações de trabalho, fora do horário de funcionamento da cozinha. Os interessados, cadastrados da plataforma Spacious, pagam o valor de US$ 95 por mês, ou US$ 29 por dia.

Por aqui, o coworking, presente desde 2007, vem avançando. Mesmo com o começo da crise, 2015 foi o ano que registrou mais aberturas de espaços de coworking: 71 no total, 9 a mais que em 2015. Vale apontar que até o abril de 2016, 21 espaços foram criados.

E os shoppings passaram a fazer parte dessa tendência. O Uberlândia Shopping abriu um espaço próprio de coworking e vem registrando boa receptividade. “Tínhamos uma demanda real de profissionais liberais que ficavam na praça de alimentação e cafeterias usando o espaço por muito tempo e consumindo pouco”, comenta Fredson Dourado, superintendente do Uberlândia Shopping (MG). A ideia foi então, criar um espaço fechado, um ambiente mais silencioso, com quatro pontos de internet (o que garante mais velocidade) e até uma sala de reuniões para tratar de assuntos mais restritos.

O blogueiro Bruno Figueredo, idealizador do projeto, lembra que nas duas primeiras semanas, o espaço recebeu apenas 30 profissionais. “Muitas pessoas ainda desconhecem o termo coworking, e entram só para saber do que se trata”, diz.


Para o superintendente Dourado, a
principal lição que fica para o shopping é a importância de conseguir detectar e oferecer aquilo que o cliente realmente precisa, seja em serviços ou produtos. O espaço, que havia sido, inicialmente, idealizado para durar um ano, irá durar, agora, dois anos, quando ganhará um novo formato. “Esse tipo de ambiente coletivo agrada profissionais independentes que procuram um espaço democrático em que possam desenvolver seus projetos ao lado de pessoas de diversas áreas e ampliar a rede de contatos”, resume Dourado.

Fabio Deganutti, superintendente do Shopping Metrópole (São Bernardo do Campo, SP), que também abriu um espaço de coworking, possui uma visão parecida com a de Dourado. “Os shoppings precisam se reinventar, criando novos recursos para suprir as necessidades dos seus frequentadores. Acompanhar as tendências de comportamento é muito importante para movimentar o shopping e atrair mais visitantes e novas oportunidades de negócios”, diz.


O motivo da criação do espaço de coworking do Shopping Metrópole foi similar ao do Uberlândia Shopping. “Sempre observamos clientes utilizando os espaços dos cafés, lounges e Praça de Alimentação para pequenas reuniões, estudo e outros afazeres. A partir dessa percepção, entendemos a importância de criar um local onde pudéssemos oferecer mais privacidade e pontos de energia para esses encontros e até mesmo para aqueles que precisam rapidamente de bateria nos aparelhos eletrônicos”, conta Deganutti.

O Espaço Conexão Metrópole, baseado nos conceitos de coworking, foi inaugurado no início de junho e será um espaço fixo no shopping. Nele, lojistas e clientes têm acesso livre para realizar pequenas reuniões, checar e-mails e até mesmo estudar ou somente dar uma pausa na correria do dia a dia. O local funciona nos mesmos horários do mall e tem entrada gratuita.

Deganutti não contabilizou quantas pessoas acessam o ambiente diariamente, mas comenta que grande fluxo é composto de estudantes: “O mall está próximo de diversas escolas, e muitos estudantes frequentam o ambiente diariamente. Acreditamos que esse espaço pode ser útil também para esses alunos estudarem e realizarem seus trabalhos acadêmicos”.

O local - uma loja próxima à Praça de Eventos - tem capacidade para receber até 20 pessoas simultaneamente e oferece cadeiras, bancadas, mesas para até quatro pessoas, pufes, tomadas e Wi-Fi gratuito.

 

Empresas de coworking se estabelecem em shoppings

Como acontece lá fora, por aqui as empresas especializadas em oferecer espaços compartilhados ganham adesão cada vez maior. O Nós Coworking já possui duas unidades, uma em Recife e outra em Porto Alegre, no Shopping Total.

Segundo Walker Massa, gestor e fundador do Nós Coworking, os principais motivos que levaram a empresa a escolher abrir uma unidade em shopping estão ligados à conveniência. “As principais vantagens de estar dentro de um shopping center é contar com opções de restaurantes, cafés, lojas, supermercado, agências bancárias, estacionamento, a poucos metros de distância. Isso, sem dúvida, traz muito mais praticidade ao dia a dia de nossos coworkers”, diz ele.

O Nós Coworking tem aproximadamente 80 membros fixos, que utilizam o espaço diariamente, e 120 membros rotativos. Além disso, circulam por lá profissionais que utilizam apenas as salas de reunião, como coaches, professores e psicólogos, assim como o público que participa dos eventos que acontecem no espaço (de workshops, palestras e bate papos, até eventos corporativos, sociais).

O perfil do associado é bem diversificado. “Temos desde startups a profissionais autônomos; jovens empreendedores a profissionais mais experientes; e nos mais variados setores: comunicação, design, publicidade, TI, arquitetura, eventos, RH...”, comenta Massa.

Na We Company, que possui um espaço de 160 metros quadrados no Shopping Downtown, no Rio de Janeiro, o perfil é também bastante diversificado. “Recebemos uma média de 70 pessoas por dia, são, basicamente, profissionais de 20 a 59, das áreas de tecnologia, arquitetura, advocacia, comunicação, design, assessoria de Imprensa, coaching, marketing, moda, consultoria e eventos”, conta Priscila Bellizzi, uma das sócias We Company. Lá, o horário de pico é entre 11 e 15 horas.

Os associados contam com internet wi-fi ilimitada, estrutura de telefonia digital, serviços administrativos em geral, além de salas de reuniões com capacidade para até dez pessoas e infraestrutura para a realização de treinamentos e mini-workshops.

Priscila conta que ter um shopping como localização foi uma escolha estratégica do ponto de vista da segurança, conforto e comodidade. “Dentro do shopping temos segurança 24 horas, estacionamento, restaurantes, bancos e entretenimento”, diz.

Em sua opinião, espaços de coworking são tendência no mundo pelo fato de estarem inseridos em uma economia colaborativa e sustentável. “O negócio do futuro é compartilhar. Fazer parte de um coworking é um verdadeiro exercício de cidadania, neste espaço aprendemos a criar vínculos, ouvir, respeitar limites, além de termos diariamente a possibilidade de criar iniciativas para uma sociedade mais equilibrada e mais justa, haja visto o ecossistema empreendedor que temos neste tipo de espaço”, argumenta Priscila.

 

Massa, do Nós Coworking, acredita que o coworking é uma das alternativas trazidas pela economia colaborativa: além de estimular a construção coletiva de conhecimento, é capaz de reunir gente diferente e criar uma atmosfera criativa que estimula a inovação. “Com isso”, diz ele, “esses espaços possibilitam que empreendedores iniciantes comecem seu negócio/startup  com baixo investimento em custo fixo, direcionando o capital inicial na geração real de valor”.