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16/06/2016



10 CAMINHOS PARA A PRODUÇÃO E O CONSUMO CONSCIENTES


Akatu elabora conteúdo para ajudar as pessoas a fazer escolhas mais sustentáveis tanto na hora de consumir um produto ou serviço quanto na de planejar um negócio



 

Ainda hoje, quando se fala em atitudes relacionadas à sustentabilidade, muitos se questionam a que isso se refere. Afinal, por onde começar a mudança para estilos mais sustentáveis de vida? Com o objetivo de nortear escolhas em favor de uma sociedade do bem-estar, o Instituto Akatu identificou os 10 Caminhos para a Produção e o Consumo Conscientes.

 

Para mobilizar consumidores, empresas e governos em torno desse conteúdo, o instituto realizou a campanha #SigaOs10Caminhos, convocando as pessoas a colocá-los em prática e compartilharem suas experiências nas redes sociais. Segundo Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, “ao conhecer e valorizar os 10 Caminhos, cada um de nós, nos nossos diversos papéis sociais, fortalece a construção de uma sociedade mais sustentável – seja ao fazer compras no supermercado ou no modo de operar o próprio negócio. Ao optar por esses caminhos, cada um pode fazer a sociedade do bem-estar acontecer a partir de agora”, afirma. 

 

Confira os dez caminhos identificados pelo instituto:

 

1.    O durável mais que o descartável

 

As opções duráveis, em regra, são sempre melhores que as descartáveis. Salvo algumas exceções (como no caso de itens de enfermaria, em que a segurança em relação à contaminação é inquestionável), optar por algo que não precisa ser substituído rapidamente evita que mais recursos naturais sejam usados para produzir um novo item. Mesmo que um produto durável seja mais caro, de imediato, que o descartável, ele pode “reembolsar” o consumidor ao longo do seu período de uso. Um bom exemplo é o caso das lâmpadas LED, que duram até 13 anos e consomem muito menos energia elétrica para a mesma luminosidade. O caminho para as empresas é de investir nos serviços de conserto e reparação de itens das suas marcas, incentivando outro tipo de relação com a sua produção. E produtos duráveis contribuem para que menos resíduos sejam gerados, evitando a poluição e obstrução de vias e canais de escoamento de água.

 

2. A produção local mais que a global    

 

Ao comprar um item produzido localmente, se incentiva o desenvolvimento da economia do lugar de origem, além de contribuir para a diminuição de emissões de gás carbônico das longas viagens que os produtos fazem para chegar até o consumidor. Outra contribuição que esse caminho traz é a possibilidade de se conhecer melhor o produtor e entender de onde vêm as coisas e para onde elas vão após o uso – a cadeia de produção. As cooperativas e organizações comunitárias são um exemplo de produção e comercialização de produtos típicos regionais e fazem valer essa opção para o consumidor. Quanto mais a produção local for incentivada pela demanda do consumidor, mais produtos com essas características tendem a surgir.

 

3. O compartilhado mais do que o individual

   

Cada vez mais as pessoas podem compartilhar o uso de um produto por meio da posse comunitária, alugando-o temporariamente ou buscando suprir a necessidade de uma forma a compartilhar o uso. O caso da mobilidade é marcante: é comum confundir a sensação de se ter um carro com a satisfação de se locomover facilmente pela cidade. O sistema de compartilhamento de bicicletas ou de carros nas grandes metrópoles é um dos exemplos do uso compartilhado de produtos, assim como as lavanderias nos condomínios e o aluguel de roupas e brinquedos, iniciativas da nova economia colaborativa. Ao compartilhar, expande-se ao máximo a capacidade de uso de um produto. Assim, aproveita-se o que está ocioso, atende-se à necessidade de mais pessoas e evita-se a extração de recursos naturais para a produção de novos itens.

 

4. O aproveitamento integral e não o desperdício 

  

A primeira imagem desse caminho é a preparação de alimentos com todas as partes de legumes e verduras, aproveitando talos, folhas, sementes e cascas. Mas o aproveitamento integral diz respeito também ao planejamento das compras de somente o necessário, diminuindo o desperdício dos excessos. Também é essencial estender ao máximo a vida útil de qualquer produto, aprimorando usos e melhorando a eficácia de sua aplicação, como de eletroeletrônicos, livros, móveis e carros. Reutilizar a água da chuva é outro exemplo de aproveitamento integral e não desperdício de recursos.

 

5. O saudável nos produtos e na forma de viver e não o prejudicial

 

Opções saudáveis, como a prática de esportes, alimentação balanceada e orgânica (sem o uso de defensivos tóxicos) e o equilíbrio entre trabalho e lazer, aumentam o bem-estar de todos. Pessoas mais saudáveis têm menos necessidade de consumo de remédios, tratamentos e exames médicos – o que os especialistas chamam de medicina preventiva. Além de outros benefícios facilmente perceptíveis como boa disposição e melhores desempenhos nos processos de aprendizagem. Essa escolha requer acesso a muita informação sobre a composição e origem dos produtos nos rótulos e campanhas de esclarecimento à população sobre hábitos saudáveis.

 

6. O virtual mais que o material    

 

A música ouvida no aparelho de MP3, o livro e a revista lidos em dispositivos eletrônicos, o filme baixado diretamente de uma “nuvem” são exemplos das possibilidades das opções virtuais. Além de não gerarem resíduos, as opções imateriais tendem a criar empregos de melhor qualidade que as materiais, apoiam o desafio do desenvolvimento de tecnologias mais avançadas, e gastam, ao longo da cadeia produtiva, menos água, energia e outros recursos naturais, como petróleo e derivados e outros minérios, dada a inexistência do produto físico. Também demandam menos transporte de cargas e pessoas, tanto nas etapas de extração, transformação e produção, quanto nas de distribuição e varejo, reduzindo ainda mais o uso de recursos naturais.

 

7.  A suficiência e não o excesso

 

  Há sempre uma novidade no mercado aparentemente indispensável: um novo celular com câmera de maior resolução, uma nova geladeira que oferece o gelo diretamente na porta. A lógica da compra pela compra em si, desprovida de um conteúdo de real necessidade, assim como a troca desnecessária de produtos ainda em plena vida útil, extrapola o limite do suficiente para cada um. E, com isso, extrapola o limite da sustentabilidade que é garantir “o suficiente, para todos, para sempre”.

 

8. A experiência e a emoção mais do que o tangível

 

 A máxima que revela este caminho é: “Presença é mais importante que presente!”. Os valores da sociedade consumista têm superado o que realmente importa na vida: emoções, experiências, convivência, lealdade ao que realmente as pessoas são e sentem. A presença significa o ato generoso de doar a alguém parte do tempo, mais valioso bem, totalmente perecível e não renovável. As viagens propostas por agências que oferecem vivências por meio de visitas participativas e educativas são uma forma de aproveitar experiência e emoção proporcionadas por um novo destino, no lugar de compras de bens materiais.

 

9.  A cooperação para a sustentabilidade mais do que a competição    

 

As empresas do setor varejista que praticam logística colaborativa para melhorar o nível do serviço e reduzir custos e emissões de carbono estão seguindo este caminho. Algumas práticas só podem ser transformadas coletivamente, como é o caso do combate ao uso de trabalho infantil ou análogo ao escravo, ou das ações contra a destruição de matas nativas para cultivo da soja ou criação de gado. Os Pactos contra o Trabalho Escravo e os Pactos da Carne e da Soja são exemplos de ações nesse sentido. As empresas signatárias discutem e implementam conjuntamente estratégias de resolução desses problemas em suas cadeias produtivas, compartilham informações sobre as condições de fornecedores, e, gradualmente, reduzem até o desaparecimento das práticas condenáveis. Ao reconhecer as empresas que seguem este caminho, se contribui para a sociedade do bem-estar.

 

10. A publicidade não voltada a provocar o consumismo   

   

A forte insustentabilidade social e ambiental da sociedade atual exige a busca por novos princípios para a publicidade: ela deve dialogar com a demanda do consumidor por bem-estar, mais do que pelo pretenso significado da compra e do uso de cada produto; por inovação na direção de um mundo mais sustentável, mais do que pela novidade em si. A Patagonia, fabricante de roupas de montanhismo, estimula redução do consumo e a pressão sobre os recursos naturais. Produz roupas mais duráveis, conserta roupas danificadas dos clientes, doa para caridade produtos próprios não vendidos e recicla o que chegou ao fim de sua vida útil.

 

Fonte:  Intituto Akatu – www.akatu.org.br

*Matéria publicada pela revista Shopping Centers