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02/06/2016



ENERGIA ELÉTRICA: AS NOVAS POSSIBILIDADES PARA OS SHOPPINGS CENTERS


Depois de um 2015 preocupante por causa da falta de disponibilidade de energia elétrica, novas fontes de energia começam a ser alternativas aos empreendimentos




Por Camila Mendonça*

Reconhecida como uma das fontes mais limpas para a geração de energia elétrica, o sol ainda não conquistou seu espaço na matriz energética mundial. Mas o potencial é grande: segundo pesquisa da Universidade Oxford, 20% da energia usada no mundo será solar até 2017. Em 2014, apenas 0,3% de toda a energia consumida no mundo era proveniente do Sol. E qual é a dificuldade? O custo para a captação é um dos principais empecilhos para essa fonte emplacar – pelo menos no Brasil. “O país já realizou três grandes leilões específicos para energia solar nos últimos dois anos. Mas essa ainda é uma alternativa cara”, explica Sérgio Ennes, diretor da Lumina Energia.

Segundo ele, o objetivo dos leilões é implantar uma indústria de equipamentos no Brasil que permita redução de custos. “A energia solar é o maior recurso renovável de que o país dispõe e deverá se constituir na área com maior crescimento nos próximos anos, devido à facilidade e à velocidade de implantação, comparada com outros modelos de geração”, avalia o especialista. “A geração hidroelétrica, a eólica e a biomassa são fontes a serem exploradas, mas a solar demonstra-se ser a mais promissora, não só no Brasil como no mundo”, completa. De acordo com o especialista, além de ser sustentável, a energia solar não gera ruído e se adapta ao layout dos shoppings, pois pode ser implantada em telhados e estacionamentos.

Para Sebastião Pernes de Miranda Filho, gerente de operações de eficiência energética da CPFL, o país tem condições de sobra para gerar energia solar. “Se explorássemos somente as áreas de telhados, excluindo-se a região Norte, o volume de energia gerado seria muito superior ao de Itaipu”, explica Miranda Filho. Para ele, o custo – considerado hoje o principal entrave – pode cair caso o cenário de incentivos mude. “Seu custo de implantação pode ser reduzido significativamente a partir do momento em que houver incentivos fiscais em nível nacional e apoio à importação, viabilizando assim a disseminação dessa tecnologia”, explica.

Pedro Silva, gerente de marketing e desenvolvimento de novos negócios na Ecogen Brasil, lembra que o país tem dado atenção ao tema. Nos últimos dois anos já foram vendidos mais de 2GWp de projetos de geração fotovoltaica nos leilões de reserva do Ministério de Minas e Energia. “Acontece que aqui a tecnologia ainda é nova. Além de a cultura ainda estar sendo difundida entre consumidores, não existe praticamente produção nacional, logo o investimento é alto. Mas trata-se de uma questão de tempo. Essa alternativa ainda vai crescer muito, inclusive para uso residencial, chamado de microgeração solar”, aponta. Para ele, além de soluções fotovoltaicas, o gás natural também tem forte potencial de aplicabilidade no setor de shopping center. “A biomassa das mais variadas origens, o biogás e o biometano são soluções viáveis e sustentáveis”, completa.

Um dos passos para diminuir as barreiras e aumentar a presença da energia solar na matriz energética brasileira é a mudança na resolução que trata do assunto (veja nesta matéria entrevista com especialista da Aneel). Essa mudança pode ajudar a fonte solar a ganhar mais espaço em território nacional. “A alteração se refere à possibilidade de pequenas unidades consumidoras instalarem painéis fotovoltaicos. Mas ainda precisamos evoluir essa discussão”, afirma Reginaldo Medeiros, presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).

Está sobrando energia?
Quando olhamos para o cenário de geração de energia elétrica no Brasil, ao contrário do que ocorreu no passado, agora temos disponibilidade de oferta. “O cenário energético mudou radicalmente no último ano no Brasil. No início de 2015 vivíamos uma situação de quase racionamento: a oferta não era suficiente para atender a demanda. E com isso tivemos uma redução de quase 3% no consumo de energia”, afirma Medeiros. “Além disso, foi um ano hidrológico favorável, que, junto com a redução do consumo, fez aumentar a oferta. Atualmente a situação é de excesso de oferta. Há um desequilíbrio, uma capacidade ociosa de geração no país”, completa.

“Com essa queda brutal do consumo, o Brasil está com uma estrutura confortável”, afirma Alexandre Moana, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços e Conservação de Energia (Abesco). “O que aconteceu é que está sobrando energia. Isso porque tanto as pessoas físicas como as empresas diminuíram significativamente o consumo”, diz.

Antes de chegar ao ponto de haver sobra de oferta, o país sofreu com a escassez. E isso fez com que tanto consumidores físicos como grandes empreendimentos, como os shoppings, buscassem alternativas para economizar. “A energia elétrica no Brasil vem sofrendo sucessivos aumentos, principalmente nos últimos dois anos. Isso é fruto de um forte período de estiagem, fazendo com que a matriz energética brasileira tivesse que operar com usinas termelétricas inclusive a diesel, de altíssimo custo, por um período muito longo, em detrimento de hidrelétricas muito mais baratas. A partir disso, os grandes empreendimentos partiram para alternativas ao mercado cativo de energia que passam por otimizar a eficiência do seu consumo, a autoprodução e a migração para mercado livre de energia”, explica Silva, da Ecogen.

Mercado livre
Quando o país passou por um período de quase racionamento no ano passado, o que se viu foi uma corrida tanto de pequenos como de médios consumidores por alternativas para economizar. “A busca crescente para gerar a própria energia passa primeiro pelo aspecto regulatório, e a Resolução 687 da Aneel abriu condições para a geração de energia distribuída pelos consumidores. Além dos crescentes aumentos da tarifa ao longo dos últimos anos, o cliente gerando seu próprio insumo tem sob controle todo o aspecto de custos de operação. Sem contar também a segurança energética, mitigando fatores externos de escassez”, afirma Miranda Filho, da CPFL.

Nessa busca, o mercado livre de energia ganhou espaço. “É um momento muito oportuno para avaliar a migração para o mercado livre de energia, pois quando houver retomada do crescimento os preços serão pressionados pela falta de investimentos na ampliação da oferta”, avalia Ennes, da Lumina. Ele explica que, se o Brasil estivesse crescendo, haveria maiores problemas no atendimento de energia. “Em um cenário de demanda maior que a oferta, teríamos de despachar insumo oriundo de térmicas, o que refletiria em repasse do custo na tarifa, já que essa energia é mais cara”, afirma. Segundo ele, o  Ambiente de Contratação Livre de Energia Elétrica é a opção mais recomendada no momento. “Desse modo, o shopping pode contratar energia a longo prazo (acima de cinco anos) a um preço de acordo com o planejamento, evitando surpresas de tarifas elevadas”, afirma.

Existe também, desde 2012, com a resolução 482/12 da Aneel, a opção de Geração Distribuída (GD) com painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas. “Nessa modalidade o consumidor pode gerar a sua própria energia e vender excedentes a outros consumidores. Recentemente, inclusive, foi criado o ProGD, programa específico para incentivar a geração distribuída”, afirma.

Ao migrar para o mercado livre, as empresas aproveitam que os preços são menores do que aqueles do mercado regulado, afirma Medeiros, da Abraceel. Ele defende veementemente a migração dos shoppings para esse modelo. “É a melhor opção para os próximos quatro anos”, afirma. E não apenas para os shopping centers. A associação representa 67 empresas responsáveis por 98% dos contratos negociados no âmbito do mercado livre, que provêm a energia para mais de 1.800 consumidores, e defende a migração no âmbito da pessoa física. A entidade encaminhou no fim de março uma proposta à Aneel para evitar gastos aos consumidores que entraram com o processo de migração ao mercado livre de energia no Brasil.
 
Segundo a associação, há atrasos no processo de migração. Hoje existem cerca de mil empresas nessa fase, e o atraso para concluir a adesão ao mercado livre no prazo previsto pela regulação, de seis meses, tem afetado mais de 20% dos casos. Com isso, os consumidores nessa situação correm o risco de ter de assumir duas faturas simultâneas, da comercializadora e da distribuidora.

“Essa forma de energia deve beneficiar o consumidor. É preciso pressionar o governo para permitir que qualquer pessoa ou empresa possa ir para o mercado livre”, afirma Medeiros. Essa proposta consta no Projeto de Lei 1917/2015, que tramita na Câmara dos Deputados e permite ao consumidor definir onde ele quer comprar energia elétrica.

Fontes geradoras de redução de custos
Para além das fontes de energia e da escolha de onde buscá-la, há caminhos que os shoppings podem escolher para conseguir economizar e, assim, reduzir os custos. “Existem tecnologias para vários usos, como automação e gerenciamento de energia, substituição de equipamentos por mais eficientes não só no segmento de energia elétrica, mas água, vapor, gás natural e outras soluções que envolvem a redução de custos diretos que o setor demanda”, afirma Miranda Filho, da CPFL.

O tema é importante: a iluminação e o sistema motriz, como escadas e elevadores, respondem respectivamente por 30% e 10%, em média, do consumo de um shopping. “Qualquer ação focada na eficiência de energia nesses setores resulta em economia imediata de energia. Outro ponto muito importante nesse aspecto é a gestão do custo de cada kWh consumido, que pode ser reduzido em até 40% com gestão de energia e aquisição no mercado livre”, avalia o executivo da CPFL.

“Os caminhos vão desde o consumo mais eficiente, passando pela substituição de iluminação convencional por LED, retrofit de centrais de água gelada para ar-condicionado, até a estruturação da matriz energética do empreendimento, gerando sua própria energia com aproveitamento de rejeito térmico para redução do custo de produção de água gelada”, diz Silva, da Ecogen. A empresa tem soluções que passam pela autoprodução de energia, cogeração e produção de utilidades como ar-condicionado, vapor e água quente para processo. “Estamos inovando em algumas frentes, como na venda de excedentes a partir de cogeração, que proporcionam uma aceleração na amortização dos investimentos”, afirma.

Fazer retrofit no sistema de iluminação é outro caminho, segundo o especialista, e que pode ser realizado com investimentos relativamente baixos e com rápida recuperação do capital. “Há empresas que fazem o investimento e recuperam seu capital através de contratos, são os chamados projetos ESCOs. Além disso, há o monitoramento do consumo para realizar uma auditoria energética visando identificar outras possibilidades de investimentos como retrofit do sistema de climatização, entre outros”, avalia Ennes.  

É possível reduzir custos até mesmo com mão de obra. Para isso, é preciso manter uma equipe própria ou terceirizada que fique constantemente focada na gestão de energia, atualizando-se com as tecnologias mais eficientes e sobre as possibilidades permitidas com a legislação em vigor. A Lumina gerencia a rede do Grupo HSI/Saphyr, que tem 12 shoppings. Com ações semelhantes a essas, a companhia conseguiu reduzir os custos e o consumo de energia em cerca de 30% em dois anos. Na fatura, a redução foi de 40%.

Ar-condicionado
A refrigeração de um shopping é, de longe, o que gera mais custo de energia: representa de 50% a 60% do consumo total, segundo Ennes, da Lumina. Não à toa, atentar para esse sistema é ponto essencial para gerar economia. “O sistema de ar-condicionado, por trabalhar com força motriz, sempre será o maior consumidor de energia em um shopping center, porém já existem sistemas que atendem requisitos globais de alta performance e que dentro de um projeto bem elaborado economizam até 40% de energia se comparados com equipamentos que têm mais de 20 anos”, explica o engenheiro Fábio Moacir Korndoerfer, diretor comercial da Recomservice.

“A economia de energia começa com um projeto bem executado. Depois, na construção feita conforme projeto, com os ajustes que sempre são necessários, e, por último, na operação do sistema, que é onde estão os maiores custos e oportunidades de economia de energia”, analisa. Nessa seara, tecnologias como chillers do tipo parafuso e centrífugo com velocidade variável, inversores de frequência em motores de bombas, torres e fan coils e um sistema de automação bem projetado ajudam a economizar.

“Nos últimos 20 anos, o que podemos citar como de maior avanço em termos de economia são as soluções de automação e os chillers com velocidade variável. A mudança na arquitetura e na engenharia voltadas a atender às necessidades de eficiência energética, vindas especialmente dos Estados Unidos, também colaboraram muito”, avalia.

Iluminação
Quando o tema é economizar, o sistema de iluminação de um shopping também é foco. E muitas empresas têm investido no segmento. “Quando falamos em inovação e eficiência, podemos dizer que o LED é um produto que integra totalmente esse conceito, pois traz em sua composição elementos que preservam os padrões de iluminação conhecidos e utilizados há anos com um consumo de energia drasticamente inferior”, explica André Obst, gerente nacional de contas estratégicas do segmento retail da Current, powered by GE. “O LED chegou para quebrar a barreira da ineficiência das lâmpadas convencionais e hoje temos economias superiores a 80% quando comparamos um bulbo de LED com o incandescente, com equivalência muito próxima em fluxo luminoso”, analisa.

“A característica mais marcante quando comparado a sistemas de iluminação convencionais é a vida útil, que pode chegar a ser até cinco vezes superior, podendo operar por até 100 mil horas com perdas mínimas do nível de iluminação. Além disso, a tecnologia não emite raios infravermelhos (IV) nem ultravioleta (UV), que em aplicações comerciais podem manchar roupas, calçados e demais produtos expostos em vitrines por muito tempo”, afirma.

Segundo o executivo, a GE tem mapeado e estudado as aplicações de iluminação em shopping centers e desenvolvido soluções que vão de lâmpadas LED até luminárias eficientes. “Atualmente contamos com uma gama de luminárias que abrange quase na totalidade as necessidades de iluminação dos shopping centers. Podemos ter o LED aplicado tanto no estacionamento aberto quanto em edifício garagem ou subsolo, malls, praças de alimentação, sanitários e áreas técnicas”, afirma Obst.  

Paulo Rodrigues, executivo de contas da Trust Iluminação, explica que o setor vem demandando soluções para substituição da iluminação tradicional por LED, de preferência sem mexer no forro ou na luminária. “Em razão dos tempos difíceis na economia, não estamos vendo uma demanda grande em lojas novas, mas muito mais reformas, com o objetivo de reduzir custo energético e de manutenção”, afirma o executivo.

Segundo a Philips Lighting, o setor de shopping centers busca itens que consumam menos e durem mais e, por isso, a utilização de LEDs tem sido a grande demanda do setor. “Estamos utilizando muito a solução Downlighter Greenspace para iluminação interna dos empreendimentos. Para postes na área externa, como estacionamentos e praças, temos toda a linha GreenVision, que agora apresenta uma grande vantagem competitiva: é fabricada no Brasil desde o começo de 2016”, informou a empresa, em nota.

Segundo as empresas, a economia não é gerada apenas por meio da troca dos equipamentos tradicionais de iluminação por aqueles que geram mais economia: é preciso fazer um planejamento. “Primeiramente é preciso entender quais aspectos da iluminação atual têm causado algum tipo de insatisfação para o shopping, como excesso de consumo de energia ou mesmo alto índice de manutenção. A partir disso, é preciso estabelecer um plano de ação, que pode ser a atualização total ou parcial da iluminação, mas isso tem de ocorrer com critérios bem definidos, como características técnicas e premissas básicas para esse projeto”, alerta Obst, da GE.

“Em grandes empreendimentos é importante saber o quanto a iluminação representa do consumo total. Sabemos que sistemas de ar-condicionado, escadas rolantes e elevadores são itens que têm um consumo muito maior do que lâmpadas”, enfatiza Rodrigues, da Trust.

“Já existem plataformas digitais que fazem toda a gestão da eficiência, reduzindo o custo com funcionários e grandes equipamentos. O ideal é que isso seja integrado também com outras ações, como o uso de painéis solares e reúso de água, para que impactem em benefícios reais para o empreendimento como um todo”, afirma Wendell Toledo, CEO da Blachere Iluminação. Segundo o executivo, outra revolução é a tecnologia OLed, que, devido a sua espessura e maleabilidade, pode ser aplicada em diversas superfícies, inclusive áreas curvas, e evita o ofuscamento. “Esse tipo de iluminação já é muito cobiçada e pode ser uma ferramenta de design que valorizará a arquitetura dos empreendimentos. Imagine um papel de parede que também é uma fonte de luz”, exemplifica Toledo.

Para Rodrigues, da Trust, o que conta para o setor daqui para a frente é o equilíbrio entre o consumo e a iluminação. “Hoje, o consumo e a manutenção são itens importantes. Saber jogar com contrastes, pontos focais, luz onde precisa, faz com que os produtos se destaquem sem tanto investimento em iluminação e tenham uma redução drástica de consumo e pontos de iluminação. Entender o que precisa ter destaque e o que precisa de luz suave é a grande tendência de iluminação”, avalia.

 

FIQUE DE OLHO

Novas regras para a geração de energia
Desde março, valem novas regras para a geração de energia elétrica distribuída. Com elas, os shoppings passam a ter novas possibilidades. Além disso, também houve mudanças em resoluções para reduzir barreiras para a geração de energia elétrica limpa. A revista Shopping Centers conversou com Daniel Vieira, especialista em regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), para entender o que muda a partir de agora.

 

Desde março, valem novas regras para a geração de energia elétrica distribuída. O que muda com elas, principalmente para o setor de shopping centers? 

 

Na revisão da Resolução Normativa nº 482/2012, que entrou em vigor em 1º de março de 2016, foram estabelecidas quatro formas de configuração para utilização da energia gerada pela micro ou minigeração distribuída: uso no local, autoconsumo remoto, empreendimentos de múltiplas unidades consumidoras (condomínios) e geração compartilhada. As duas primeiras configurações (uso local e autoconsumo remoto) consistem, respectivamente, na geração de energia elétrica na mesma unidade consumidora onde os créditos serão utilizados para abater o consumo e na utilização de créditos excedentes de uma determinada unidade consumidora em outra instalação do mesmo titular (mesmo CPF ou mesmo CNPJ). Essas duas possibilidades já existiam no texto original da Resolução Normativa nº 482/2012 e foram apenas aprimoradas na revisão realizada em 2015.

 

Uma terceira forma de participação no sistema de compensação se dá em empreendimentos com múltiplas unidades consumidoras pela instalação de uma micro ou minigeração num condomínio (incluindo shopping centers) com rateio dos créditos entre os condôminos em porcentagens previamente definidas pelo próprio condomínio.

A quarta e última possibilidade de arranjo para participação no net metering é por meio da geração compartilhada. Nesse esquema, um grupo de consumidores de uma determinada área de concessão pode se reunir em um consórcio ou cooperativa, instalar uma micro ou minigeração distribuída em nome desse consórcio/cooperativa e repartir os créditos de energia entre todos os associados para redução de suas faturas.

 

Na sua avaliação, por que o Brasil ainda não investe em energia solar? Há espaço para esse tipo de tecnologia? Ela é possível de ser utilizada em grandes empreendimentos?

 

Atualmente, a geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis constitui uma tendência verificável em diversos países, inclusive com a concessão de incentivos à geração distribuída de pequeno porte. No Brasil, a Aneel publicou a Resolução Normativa nº 482/2012, alterada recentemente pela Resolução Normativa nº 687/2015, com o objetivo de reduzir barreiras para a conexão de microgeração e minigeração distribuída, conectadas à rede por meio de instalações de unidades consumidoras.

 

Dessa forma, graças a essa regulamentação, o consumidor brasileiro pode gerar sua energia elétrica a partir de fontes renováveis e inclusive fornecer o excedente para a rede de distribuição de sua localidade, recebendo em troca um crédito de energia. Até fevereiro de 2016, 2.207 sistemas já foram instalados no país dentro dessa regulamentação. Desse total, mais de 97% é proveniente de fonte solar fotovoltaica.

 

Matriz energética brasileira
Veja a participação de cada fonte de energia no país (representatividade de cada fonte em % na potência total instalada)

Hídrica: 61,3%
Fóssil (carvão mineral, gás natural, petróleo e outros fósseis): 17,4%
Biomassa (agroindustriais, biocombustíveis líquidos, floresta, resíduos animais, resíduos sólidos urbanos): 8,87%
Eólica: 5,6%
Importação: 5,4%
Nuclear: 1,3%
Solar: 0,0152%

Fonte: Aneel



*Matéria veiculada na revista Shopping Centers, da Abrasce