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23/05/2016



FALANDO SOBRE GESTÃO COM O PRESIDENTE DA ICSC


Um bate-papo com Thomas McGee, presidente do International Council of Shopping Centers (ICSC) 

 



 

Em setembro de 2015, Thomas McGee, até então executivo do alto escalão da Deloitte LLP, foi nomeado presidente e CEO do International Council of Shopping Centers (ICSC). McGee leva à associação norte-americana a experiência que obteve em mais de 20 anos trabalhando em uma empresa global, que está presente em mais de 150 países. E não é apenas seu expertise em gestão e consultoria financeira que chama atenção em seu currículo.

 

McGee acredita que todas as pessoas devem ter uma oportunidade. E por isso se envolve também em ações que abragem instituições filantrópicas. Além do ICSC, ele preside o Covenant House International, que fornece abrigo e aconselhamento para jovens sem-teto; é membro do Conselho da Fundação Católica de Nova York e do Conselho de Finanças da Arquidiocese de Nova York; além de fazer parte do Conselho de Regentes da Universidade Loyola Marymount.

 

Em entrevista à revista Shopping Centers, Thomas McGee fala sobre sua atuação à frente do ICSC, sua experiência anterior na Deloitte:

 

Revista Shopping Centers      O sr. assumiu a presidência do ICSC em agosto do ano passado, depois de uma longa experiência na Deloitte. De que forma sua experiência na consultoria contribuirá para a gestão no ICSC?

 

Thomas McGee     Passei 26 anos na Deloitte, onde eu era um dos sócios-diretores. Olho para trás com muita gratidão. Tenho grandes amizades e o meu trabalho na empresa ajudou a me tornar um profissional de negócios. Aprendi a servir os clientes em uma ampla gama estrutural. Por isso, acredito que há uma sinergia entre serviço ao cliente e serviço ao associado. Pretendo usar a minha experiência para garantir que as necessidades de nossos associados sejam continuamente atendidas.

 

 

Revista Shopping Centers    O que pretende focar durante sua administração?

 

Thomas McGee     O setor imobiliário de varejo é uma fonte de desenvolvimento econômico e de oportunidade, essencial para a vitalidade da economia das comunidades em todo o mundo. É uma indústria que afeta a vida das pessoas todos os dias. Os empreendimentos oferecem comodidade, serviços, entretenimento e segurança para seus frequentadores e é uma indústria que gera milhares de empregos. Os shoppings promovem o desenvolvimento nas comunidades onde estão instalados.

Além disso, esse é um setor que está inovando. Quero compartilhar esses fatos e muitos outros sobre como a indústria está moldando o futuro.

 

 

Revista Shopping Centers     Qual é o atual momento da indústria mundial de shopping centers?

 

Thomas McGee Em 2016, as vendas globais de varejo devem crescer 3,2% e eventualmente 3,4% em 2018. No ano passado, os varejistas e operadores de centros comerciais se ajustaram às novas realidades de um mundo de varejo omnichannele muitos estão emergindo mais forte do que nunca.

O desafio para 2016 é aperfeiçoar os multicanais e as estratégias para tecnologias móveis, proporcionando uma experiência totalmente integrada. Os shopping centers serão cruciais para esse processo, permitindo que os varejistas tornem-se hub para a sua estratégia omnichannel.

 

 

Revista Shopping Centers     Qual a expectativa para o setor americano de shopping centers?

 

Thomas McGee  O setor imobiliário de varejo está fortalecido e bem posicionado para mais um ano impactante. Houve uma melhora no mercado de trabalho no ano passado, aumentando a confiança do consumidor. A taxa de ocupação está oscilando em 94%.Além do mais,métricas importantes como o lucro líquido operacional (NOI) e o aluguel mínimo estão subindo, enquanto a taxa de retorno está sendo comprimida, indicando que o mercado está aquecendo.

2016 parece ser o ano em que realmente os varejos digital e físico irão se encontrar. Novas tendências de tecnologia, canais de comunicação e opções de entretenimento estão sendo incorporados nos centros comerciais, e os consumidores têm como antecipar suas experiências de compras e evoluir junto com essas tendências. Experiências, omnichannel, conveniência, customização e personalização são alguns dos temas recorrentes para os quais varejistas e desenvolvedores estarão olhando para se adaptar.

O atendimento ao cliente também é muito importante. Varejistas que proporcionarem experiências em canais físicos e digitais, com integração imperceptível pelo consumidor, serão líderes em 2016.

 

Revista Shopping Centers    Você acredita que o varejo físico sempre terá vantagens em relação ao e-commerce?

 

Thomas McGee    Ao contrário da crença popular, o e-commerce representa aproximadamente 7% do total das vendas do varejo, o que significa que os outros 93% das vendas ocorrem em lojas físicas. Olhando para o futuro, de acordo com a eMarketer, as vendas on-line continuarão a ocupar menos de 10% do total das vendas em 2018. Apesar do crescimento tórrido, o comércio eletrônico não está programado para reformular o varejo físico, o futuro está na convergência dos dois.  

Longe vão os dias de apenas um canal de estratégia de varejo. A fim de serem atrativos para o consumidor omnichannel, os varejistas precisam estar presentes tanto no físico como no digital. Os que já atuam dessa forma irão prosperar, e aqueles que só dependem de um canal, terão de correr atrás.

 

Cada vez mais, os varejistas digitais estão abrindo lojas físicas, a fim de oferecer aos clientes uma experiência em várias plataformas. Tomemos como exemplos a Microsoft, aWarby Parker, a Blue Nile, Bonobos e até mesmo a Amazon. Ter um espaço físico proporciona maior acesso a mercadorias, flexibilidade para devoluções e troca, interação mais forte com a marca e, notavelmente, a oportunidade para o consumidor tocar, sentir e experimentar o produto.Por outro lado, os especialistas no varejo físico, como Walmart e Nordstrom, continuarão a expandir suas ofertas digitais. No fimdas contas, as lojas físicas vão continuar a desempenhar o papel central na experiência de compra, mesmo que focando no crescimento das plataformas de omnichannel.

 

Revista Shopping Centers      Quais as metas do ICSC em 2016? Como a associação mostrará seu apoio aos associados neste momento?

 

Thomas McGee     É implícito a nós, como associação de classe, apoiar os nossos associados, sendo um parceiro de negócios que reúne pessoas para discutir novas tendências como, por exemplo, o atual estágio da tecnologia, além de compartilhar as melhores práticas do setor. Nós temos a responsabilidade de defender os interesses da indústria e promover impacto socioeconômico dos shopping centers nas comunidades, muitas vezes esquecidos.

 

 * Matéria publicada na revista Shopping Centers, da Abrasce