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06/05/2016



DESAFIO ENERGÉTICO REQUER PLANEJAMENTO E EFICIÊNCIA



Quando o assunto é energia, é importante que os shoppings reavaliem o consumo e aproveitem a oportunidade para pensar no longo prazo

Por Renata Moreira

 


Especialmente em período de escassez energética no cenário macroeconômico, a gestão do consumo de energia se torna essencial para a operação dos malls. Porém, é importante observar que essa gestão também é relevante no longo prazo do empreendimento, podendo gerar importantes economias. De acordo com Luciano Ribeiro, diretor da CPFL Eficiência, quando se prepara um novo empreendimento o ideal é que as áreas de arquitetura e engenharia caminhem juntas. “As incorporadoras ou empreendedores podem envolver as empresa do setor de eficiência energética e arquitetura já na concepção do projeto, antes dele ser executado”, recomenda.

Assim, é possível integrar ao projeto aspectos que podem gerar a economia de energia no longo prazo, como o uso adequado da iluminação natural dentro do mall, por exemplo. Mas uma boa gestão do sistema de energia pode reduzir o consumo tanto em novos shoppings quanto nos mais antigos, sem deixar de lado o bem estar do consumidor.

Edison Junior,engenheiro mecânico da divisão de eficiência energética no setor privado da Eletrobras, afirma que ações simples podem contribuir com a redução do gasto de energia, como o uso da iluminação artificial a LED, que consomem muito menos energia que as lâmpadas tradicionais, como incandescente e fluorescente.

Considerando que a iluminação pode representar até 30% do consumo de energia em um mall, outros exemplos que podem ajudar a reduzir a conta são a pintura branca em tetos de estacionamento, assim como a utilização de cores claras nas fachadas e utilização de vidros com baixo fator solar, gerando menor incidência de energia solar no interior do mall. Outra possibilidade, em caso de os vidros não possuírem tal propriedade, seria a adoção de películas que limitam a entrada de raios UV nas áreas envidraçadas.

De forma complementar, Mário Javaroni, gerente de obras, operação e manutenção da Light Esco, e André Figueiredo, engenheiro sênior da Light Esco, explicam que privilegiar a utilização de cores claras nos tetos e paredes facilita o reflexo da luminosidade, deixando o ambiente mais claro, o que demanda menos iluminação. Além disso, sugerem a utilização de sensores de presença para acionamento da luz em áreas de acesso eventual, a partir de um determinado horário, para a redução de energia.

Por outro lado, Rosana Correa, sócia fundadora da consultoria ambiental e tecnologia na construção civil Casa do Futuro, observa que é preciso tomar alguns cuidados e contar com orientação de especialistas. Isso porque, utilizando o exemplo anterior, quando os sensores de ocupação não apresentam a qualidade atestada e não são corretamente especificados ou regulados, os equipamentos podem causar transtornos na utilização, assim como podem gerar o aumento do consumo energético, ao invés de sua redução.

Segundo ela, isso é comum ocorrer quando instalados para acionar luminárias que utilizam lâmpadas frias e reatores em um ambiente de alta circulação. “O frequente acionamento dessas lâmpadas reduz sua vida útil e os reatores, ao dar a partida, consomem uma quantidade maior de energia. E, nesse caso, a instalação de sensores não faz sentido”, explica.

Ainda sobre a luminosidade, mas pensando no longo prazo, Javaroni e Figueiredo propõem adaptações na infraestrutura, como a revisão dos projetos técnicos de iluminação para garantir uma melhor distribuição das lâmpadas ao longo do empreendimento. Lembram, ainda, que para os motores e acionamentos, os shoppings podem utilizar inversores de frequência, sobretudo em escadas rolantes. Dessa forma, é possível reduzir a velocidade do equipamento e levar até mesmo à paralisação quando elas não estiverem sendo utilizadas – o que é especialmente válido para os horários de baixa movimentação.

Secadores de mão

Junior, da Eletrobras, explica que as torneiras e os secadores de mão elétricos utilizados nos banheiros dos malls aumentam o gasto de energia, mas destaca que não há estudo conclusivo sobre o real impacto destes equipamentos no consumo final. De qualquer maneira, afirma que as torneiras elétricas podem ser facilmente substituídas por aquelas com acionamento mecânico de pressão, desde que se faça a manutenção adequadamente, para que o fluxo de água se mantenha conforme as instruções do fabricante.

“Já os secadores de mão elétricos possuem consumo representativo, muitas vezes superior ao de um forno micro-ondas”, afirmam Javaroni e Figueiredo. “Entretanto, a utilização deverá ser avaliada, não só pelo aspecto econômico, mas também pelo ambiental, porque as outras formas de atender o cliente podem representar maior produção de lixo, por meio da secagem com papel”, completam.

 

 

Mocinho e vilão

O sistema de climatização é essencial para o funcionamento de um centro de compras. É um dos responsáveis pelo bem estar dos consumidores dentro dos malls, especialmente em um país tropical com o Brasil. Contudo, em alguns estabelecimentos o ar-condicionado chega a ser responsável por 60% do consumo de energia.

Uma forma de reduzir esse impacto é o uso de automação inteligente no sistema de climatização, segundo Fábio Moacir Korndoerfer, diretor comercial da RecomService. Ele explica que esse sistema de automação consegue equilibrar as temperaturas do mall de acordo com a quantidade de calor recebida, não deixando frio demais em dias vazios e frios e nem quente demais em dias de temperaturas mais altas, com maior movimento de frequentadores. “Praticamente todo shopping center nasce com algum tipo de sistema de automação, entretanto a maioria deles é estática e sem inteligência suficiente para economizar energia sem prejudicar o conforto dos clientes”, avalia.

O uso sustentável do ar-condicionado pode ser funcional entre as diferentes áreas internas do centro comercial, aumentando a temperatura em áreas menos frequentadas e resfriando as mais movimentadas, como as praças de alimentação. Além disso, é capaz de dosar a quantidade de ar externo a ser inserida no shopping objetivando garantir a qualidade de ar e, ao mesmo tempo, evitar que um volume maior de ar quente e úmido externo entre no mall.

Quanto ao ar-condicionado, Javaroni e Figueiredo, da Light Esco, afirmam que outra solução que pode contribuir para a redução do consumo de energia é a adoção de equipamentos de alto rendimento, dotados de inversores de frequência nos compressores, nas bombas de água gelada e nos ventiladores da torre de condensação.

“Uma criteriosa avaliação técnica dos sistemas energéticos do cliente é fundamental para alavancar os melhores resultados de conforto térmico do ambiente, com uma significativa redução nos custos operacionais. Em muitos casos, a solução proposta pela Petrobras Distribuidora vai muito além da simples troca de equipamento, pois buscamos promover soluções integradas”, afirma Luiz Claudio Mandarino, gerente de marketing e comercialização de negócios de energia da Petrobras Distribuidora.

De acordo com a Petrobras Distribuidora, é possível garantir a redução de até 40% dos custos operacionais (energia, água e operação e manutenção) ao privilegiar o desempenho eficiente dos sistemas de ar-condicionado, por meio da adoção da tecnologia mais adequada às necessidades do cliente.

Embora o ideal seja que os malls planejem a economia de energia em seus diversos aspectos desde a realização do projeto, Korndoerfer afirma que muitos projetos de retrofit – substituição total ou parcial de equipamentos de ar condicionado e sistemas de automação que estão depreciados e muito ineficientes – têm sido bem sucedidos. “Temos um caso de retorno de investimento de retrofit de sistema de automação de um shopping center que economizou R$ 500 mil em consumo de energia em apenas um ano depois de entrar em operação”, relata.

 

Cogeração de energia

Outra forma de reduzir o consumo, segundo Javaroni e Figueiredo, é a adoção de sistemas de cogeração de energia. Eles explicam que a Light Esco, por meio da utilização do gás natural, fornece ao mesmo tempo energia elétrica para o empreendimento e água gelada para seu o sistema de ar-condicionado, possibilitando a redução dos custos operacionais.

Segundo a Light Esco, a água gelada é distribuída no local indicado pelo cliente, por meio de tubulações instaladas em galerias ou mesmo diretamente enterradas no solo. Como a geração do frio é centralizada, há uma complementaridade dessas curvas e uma modulação muito mais eficiente, proporcionando menores custos com energia e redução de emissão de gás carbônico.

Gustavo Marchezin, gerente comercial da Ecogen Brasil, e Pedro Silva, gerente de marketing da empresa, afirmam que shoppings que possuem, por exemplo, sistemas de cogeração e geração de energia são empreendimentos que têm fontes diversificadas o que resulta independência total ou parcial da rede elétrica das concessionárias.

Com isso, podem operar em situações quando não há fornecimento de energia elétrica ou em época de racionamento. “Vantagem oferecida com menor custo de energia que o convencional, uma vez que o quilowatt-hora gerado por sistemas de cogeração a gás é mais barato que o quilowatt-hora da rede elétrica”, explicam. Outra sugestão dos executivos para a redução do consumo de energia é o uso de chillers – equipamentos utilizados no resfriamento de água e ar – a gás natural.

Embora mais voltados para situações de emergência e uso de forma temporária, os geradores de energia também podem ajudar na economia financeira do shopping e gerar um pouco mais de independência, garante Abraham Curi, diretor comercial da Tecnogera. Ele explica que os malls que contam com grupo gerador para segurança em situações de falta de energia elétrica fornecida pela concessionária, podem também utilizar os geradores nos momentos de ponta, entre 17 e 21 horas. “Com a economia gerada pelo uso de gerador no momento em que a energia da concessionária está mais cara, o mall pode ter o retorno financeiro que acaba pagando o grupo gerador usado para garantir o abastecimento”, afirma.

Solar é viável?

O uso de energia solar também pode ser um caminho. Junior, da Eletrobras, explica que é possível usar energia solar, tanto térmica quanto fotovoltaica. A térmica pode ser usada para aquecimento de água e pode suprir, por exemplo, a demanda por água quente dos vestiários de colaboradores e cozinhas dos restaurantes. Por sua vez, a fotovoltaica pode ser utilizada para acionar algum sistema de baixo consumo ou elementos consumidores bem definidos. “No entanto, há limitadores tecnológicos nesse sistema de geração: quanto maior a quantidade de equipamentos suprida por ele, maior a área requerida para alocar os coletores solares”, afirma. Outro fato complicador é que “as placas fotovoltaicas ainda têm um baixo rendimento, o que faz com que o retorno do investimento aconteça em longo prazo”, completa.

Javaroni e Figueiredo, da Light Esco, concordam. “A viabilidade comercial deverá ser verificada, levando-se em conta a capacidade de geração e o custo de implantação, que por vezes envolve uma verba extra para a construção de reforço estrutural de onde geralmente as placas são instaladas”, afirmam.

Apesar da apreensão que o período de crise energética tem gerado, também pode ser visto como uma oportunidade de fazer diferente. Com a instabilidade no fornecimento de energia, os shoppings centers têm a oportunidade de focar em ações para reduzir o consumo não apenas de forma momentânea, mas também pensando na sustentabilidade no longo prazo. O cenário pode ser ainda mais benéfico para os novos projetos que já podem nascer energeticamente mais sustentáveis, baseados em soluções alternativas mais eficientes.

 

Quando usar geradores?

Abraham Curi, diretor comercial da Tecnogera, explica que os geradores costumam ser procurados pelos shoppings centers em três situações. Uma delas é quando não há disponibilidade de energia. Ou seja, quando há um planejamento de expansão de varejo, como a inauguração de um shopping center, há uma diferença entre liberação de energia e data de abertura. Dessa forma, os malls recorrem aos geradores para o completo funcionamento até que a concessionária passe a fornecer energia.

Outra situação, segundo Curi, é quando tem uma fonte de energia e ela é insuficiente. Quando há, por exemplo, problemas na infraestrutura local para distribuição de energia e precisa-se complementar a demanda com grupos geradores.

E uma terceira situação, bastante comum, é o uso de geradores como fonte de energia reserva, para garantir que o mall não fique sem luz em caso de falha no fornecimento da concessionária. De acordo com Curi, a crise no setor energético no País, somado à expansão das indústrias como um todo, forma um cenário que tem levado cada vez mais os empreendimentos a buscarem os geradores como fonte reserva de energia.

 

Redução de custos

No condomínio empresarial Rio Office Park, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, a Light Esco desenvolveu, implementou e atualmente opera um district cooling, uma rede distrital de refrigeração. O sistema é responsável pelo suprimento das necessidades de refrigeração de clientes como Plarcon, Petros, Esso e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O district cooling é um serviço de energia térmica produzida a partir de uma central de alta performance e distribuída por redes de água gelada. A água gelada é distribuída no local indicado pelo cliente, por meio de tubulações instaladas em galerias ou mesmo diretamente enterradas no solo.

De acordo com a Light Esco, um dos principais benefícios desse tipo de projeto é que o cliente não precisa fazer o investimento para ter sua própria central de refrigeração, bem como está isento da operação e manutenção do sistema. A empresa é responsável pelo investimento, implantação e funcionamento e o cliente paga pelo serviço de refrigeração conforme o uso. Além disso, o district cooling utiliza diferentes técnicas de armazenagem de energia para serem utilizadas em horários de ponta, como os tanques de água gelada que ajudam a reduzir o consumo anual de energia em até 55%.

 

Luminosidade

Quando se fala de iluminação em shopping center, a escolha adequada das lâmpadas, tanto no ambiente interno como externo, é fundamental não apenas para o conforto do cliente como também para a segurança do ambiente. A Philips, que disponibiliza soluções para projetos de shopping centers, conta com os downlighters para as áreas internas.

As linhas Luxspace e StyliD proporcionam maior conforto, nível de luminosidade adequada, brilho e reprodução das cores, em lojas, malls etc, além de economizar energia. A LuxSpace 3 apresenta a mais recente tecnologia LED e produz iluminação com alto desempenho e alto índice de reprodução de cor. Já a linha de luminárias StyliD foi reformulada oferece uma solução eficiente do ponto de vista energético substituindo lâmpadas a vapor metálico (CDM) e halógenas, com alta qualidade de luz e excelente consistência de cor.

Além das áreas internas, a empresa ressalta que na fachada e nos estacionamentos, uma boa iluminação faz toda a diferença, agregando valor e referência ao empreendimento, pois além de facilitar a vida de quem o frequenta, o deixa muito mais bonito e elegante.



*Matéria publicada na revista Shopping Centers, da Abrasce