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05/05/2016



TRÊS TENDÊNCIAS DEFINITIVAS PARA O VAREJO BRASILEIRO


Por Caio Camargo*


Recentemente fui convidado para colaborar em uma matéria sobre tendências de varejo, e apontar algumas tendências para o varejo. Em meio a questões que ainda trazem certa desconfiança, mais como probabilidades do que certezas, penso que três delas não há como o varejo deixar de olhar, principalmente pensando no mercado brasileiro.


1.)      Figital: Não pense em físico ou digital. Seja os dois.

É fato. Ainda tem gente que é só digital, ainda tem gente que pretende permanecer apenas no ambiente físico. Mas por mais que tentem permanecer alheios ao mercado, é o atual comportamento de consumo que está ditando as regras. Preços e algumas comodidades encontradas no meio digital ainda não são páreo para a experiência de compra, como o ambiente, atendimento ou o “levar na hora” do mundo físico, assim como o contrário também é válido.

No mundo atual, estão ganhando espaço (e mercado) aqueles que conseguem criar uma experiência híbrida de consumo, passando por modelos que vão desde os “pick-up stores”, onde o consumidor decide em qual canal compra e de qual maneira recebe ou retira seu produto, a modelos nos quais as lojas funcionam como um showroom ou um centro de experiências para as compras virtuais. Vai por mim: ainda tem gente com estoque e departamento somente para a loja virtual. Antes de pensar no consumidor, pense que a mudança terá de começar de dentro para fora.

 

2.)      Relevância e engajamento são dois dos ativos mais importantes de sua empresa.

Ainda na mesma onda, um grande resultado da revolução digital é que se o varejo de ontem era medido pelo número de lojas ou ainda pelo porte das mesmas, hoje não somente a presença, mas principalmente a relevância da marca junto a seu consumidor e o engajamento deles com a marca são os ativos mais importantes de qualquer empresa.

Empresas que não se conectam ou não conseguem se comunicar adequadamente com seu consumidor, verão suas vendas minguarem. Isso está criando uma nova revolução no varejo. Enquanto alguns considerados gigantes do varejo estão caindo, estamos vendo uma série de negócios pequenos prosperarem da noite para o dia e se tornarem protagonistas em seus mercados, por vezes, sem a lógica de um ponto, em modelos de negócio como AliBaba, AirBnb, Uber, etc, principalmente por rapidamente entender e oferecer não somente algo diferenciado, mas algo direcionado ao seu público, entendendo suas demandas e oportunidades de mercado. Vender sem entender o porquê não é mais uma possibilidade.

3.)      Dados como meio, não como fim.

Você já deve ter escutado o quanto a questão do Analytics, ou seja, da análise aprofundada dos dados é importante para o negócio. Bom, o fato é que só faz sentido obter novos dados se estiver disposto a mexer em seu negócio, da mesma maneira dinâmica como os obtêm.

Os dados analíticos, como taxa de conversão, produtos mais vendidos, vendas não efetuadas, períodos de pico e por aí vai, só fazem sentido ao negócio se a análise dos mesmos criar insights, demandas, novas oportunidades, e tomadas de decisão mais rápidas. Se sua empresa se reúne para verificar o cenário onde atua e tomar decisões importantes apenas uma vez por mês, você está andando mais lento que seu concorrente. Se você se reúne toda a semana para o mesmo fim, a situação é a mesma.

As marcas precisam empoderar mais alguns departamentos, de maneira que possam rapidamente se adequar à novas questões, e até mesmo aproveitar oportunidades no momento que passam. Dados coletados há mais de uma semana são como retratos, cenários do passado que possibilitam algumas análises, mas que talvez não permitam tomadas de decisões assertivas no presente. No mundo de hoje, as decisões ágeis precisam ser tomadas no agora, no momento.

 

*Caio Camargo é autor do blog http://www.falandodevarejo.com/