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18/04/2016



INTELIGÊNCIA A SERVIÇO DA SEGURANÇA



De que forma as soluções tecnológicas possibilitam uma análise mais apurada da área de segurança e contribuem para a redução de custos com esses serviços em shopping centers

 

Por Mariane Rocigno*

 

De uns tempos para cá, os aplicativos caíram no gosto dos usuários da web. São soluções que permitem organizar as tarefas diárias, encontrar o melhor caminho no trânsito, chamar um táxi e até um app que permite ao usuário usar frases famosas (de filmes – por exemplo) para dublar a si mesmo em vídeos curtos.

 

Esse universo chega aos poucos também à área de segurança dos shopping centers. A Seg One, empresa que oferece consultoria e treinamento, desenvolveu um aplicativo para fazer auditoria dos processos de segurança dos shoppings que faz com que o gestor do empreendimento tenha informação, em tempo real, daquilo que está sendo realizado na ponta, agilizando o processo. Segundo a empresa de consultoria, outro app que pode ser utilizado é o de alarme de pânico que tem baixo custo e pode ser aplicado em um computador da loja ou em celulares das pessoas que trabalham no local bastando para isso apenas acesso à internet.

 

Fora os apps, os avanços tecnológicos foram grandes quando se fala em segurança. São câmeras de vigilância que têm sensores de presença, identificação facial e gravam no escuro; o monitoramento de redes sociais que possibilita o acompanhamento de movimentos externos; e também alguns aplicativos que mapeiam as áreas de maior incidência de ocorrências e ainda indicam ações para a prevenção de incidentes. E o que antigamente era uma sala de monitoramento de câmeras dentro de um shopping, hoje é uma área de inteligência onde se concentram dados e informações fundamentais à gestão de segurança do patrimônio, dos trabalhadores e frequentadores do empreendimento. Entre esses dados estão informações de áreas de mercado, novos modos de criminalidade no varejo, eventuais manifestações que podem afetar a área do shopping, entre outros.

 

De acordo com Ricardo Franco, superintendente regional do Grupo GR, essa área de inteligência mapeia as informações, as estrutura, filtra e as distribui para toda a equipe de segurança. “Hoje temos aplicativos que refinam as informações, com mais velocidade, facilitando a interpretação do que está sendo passado. Assim, conseguimos consolidar o maior número de informações possível para tornar a segurança mais preventiva”, enfatiza.

 

Franco comenta que muito se evoluiu na questão da gestão da segurança. Segundo ele, há cerca de dez anos a gestão era feita por funcionários de recursos humanos ou do setor administrativo. Com o tempo, os shoppings, principalmente das grandes capitais, começaram a levar especialistas para tratar da segurança junto aos gestores do empreendimento.

 

E o planejamento de segurança tornou-se cada vez mais parte fundamental para que ocorrências sejam evitadas. “O planejamento é feito de forma personalizada para cada tipo de empreendimento, considerando a faixa de consumo, as vias de acesso e toda a área em que o shopping está inserido. Por isso o ideal é planejar a segurança antes mesmo da construção do mall, já que todos esses fatores influenciam nesse aspecto”, afirma Ademar Barbosa, diretor de operações da Verzani & Sandrini. “Mesmo com o shopping em funcionamento fazemos uma análise desses fatores e geramos um pré-projeto direcionado à área de recursos humanos, para que seja feito o planejamento do número de vigilantes necessários para o trabalho, e para a área de materiais, para que sejam definidos quais e quantos serão os equipamentos utilizados na operacionalização da segurança do mall.

 

Ronaldo Toneloto, gerente comercial corporativo do Grupo Protege, afirma que há algum tempo a lacuna a ser preenchida ainda era a de planejamento estratégico. “Assim como empresas de bens e produtos implementaram ferramentas de gestão em seus processos mais complexos, as empresas de segurança aplicaram as mesmas ferramentas e ainda desenvolveram outras específicas da atividade”, diz.

 

Entre essas soluções, Toneloto destaca a análise e gerenciamento de riscos, que por meio do conhecimento detalhado do empreendimento, permite a identificação de riscos e vulnerabilidades, sua mensuração e definição do nível de importância, bem como as soluções para sua administração. “Dessa forma, começaram a ser elaborados processos de segurança mais específicos e detalhados, avaliados sob óticas de matrizes de resolução de problemas e apresentados sob fluxogramas tão complexos quanto a de qualquer modelo de produção fabril em uma grande empresa”, completa.

 

Além de sistemas eficientes de comunicação e de controle de procedimentos operacionais, a empresa de segurança Gocil, acredita que os softwares analíticos de imagem se mostram efetivos na operação de segurança do shopping. De acordo com Ricardo Bacci, gerente de desempenho da empresa, essas soluções possuem avançados algoritmos de inteligência artificial que analisam as imagens das câmeras em tempo real detectando comportamentos fora dos padrões e que podem vir a gerar situações de risco. “Podemos ser alertados em tempo real sobre pessoas em atitudes suspeitas nos estacionamentos, aglomerações nas áreas internas e externas, fluxo de entrada nas portas maior que o normal, pessoas no sentido contrário nas escadas rolantes ou correndo, aproximação de pessoas em áreas de risco ou de acesso restrito e tudo mais que possa representar risco”, explica Bacci.

 

Segundo ele, de posse destes dados é possível optar por apenas acompanhar a situação ou comandar intervenções das equipes de campo de forma pontual e munidas de informações precisa. Bacci afirma ainda que é fundamental ter pessoas capacitadas para analisar os dados e informações geradas por essas diversas fontes. “É preciso ter pessoal treinado para procedimentos operacionais de atuação elaborados de forma cada vez mais personalizada e suportadas por softwares que gerem uma visão integrada das informações, da situação e dos recursos disponíveis”, pontua.

 

 A Verzani & Sandrini desenvolveu um software que mapeia todas as ocorrências, mostra estatisticamente os locais de maior incidência de ocorrências e indica as áreas que necessitam de reforço de segurança. “Depois de inseridos os dados, a análise deles é feita pela área técnica que gera uma matriz matemática com a identificação das áreas de maior risco e nível de cada um: se baixo ou alto”, complementa o diretor.

 

Nesse sentido, José Luiz Rodrigues, diretor geral de SIS (Soluções Integradas de Segurança) da Prosegur reforça que não basta olhar para a segurança de uma forma clássica. “É preciso vê-la como um dos elos dos serviços de apoio aos usuários, lojistas e proprietários dos shoppings”, afirma. Além da segurança, Rodrigues lembra a importância de cuidar do conforto e da saúde das pessoas, em casos de necessidade de intervenção e acrescenta: “o segredo não é ter acesso a essas informações on-line, e sim saber tratá-las e usá-las em benefício da segurança. Isso exige integração de meios e rapidez de ação”, aponta.

 

Sobre tendências, o superintendente do Grupo GR diz que a evolução da tecnologia nessa área é rápida, mas antes de incorporar uma novidade é preciso se preocupar com a regionalidade e funcionalidade desses sistemas no nosso mercado. “Sempre reforçamos que tanto a tecnologia como o próprio material humano, que provém a segurança física, têm de ser bem integrados. Porque não adianta nada ter informação e não saber usar ou propaga-la da maneira correta”, completa Franco.

 

 

Material humano é tão importante quanto à tecnologia

Além dos equipamentos, os agentes de segurança são fundamentais para a operação, e são os principais responsáveis por transmitir a sensação de segurança, tão necessária, principalmente nas grandes metrópoles do País. Para o público, shopping center é sinônimo de segurança e é preciso oferecê-la de forma adequada aliando pessoas e tecnologia. De acordo com Toneloto, do Grupo Protege, se antes os processos tinham como base somente a figura do agente de segurança – tendo como característica principal a rispidez – hoje a necessidade de orientar o público e operar sistemas eletrônicos fez com que aumentasse a valorização desse profissional.

 

Nesse mesmo sentido, a Verzani & Sandrini Segurança Patrimonial criou recentemente sua universidade corporativa. De acordo com Barbosa, de nada adianta ter equipamentos avançados se não tiver pessoas capacitadas para operar as ferramentas. “Treinamos nossos vigilantes com cursos específicos, principalmente para trabalhar em shopping center, que requer a prestação de um serviço diferenciado. O objetivo é que as pessoas tenham a sensação de segurança, mas não se sintam oprimidas pelos agentes”, pondera Barbosa.

 

Franco, do Grupo GR, comenta que 95% da operação de segurança depende do material humano. “A empresa tem de ter visão de recursos humanos. Por isso temos uma política de reconhecimento de mão de obra no grupo, damos oportunidade de promoção de cargo aos funcionários e mantemos ações de motivação, como comunicados no Dia dos Pais”, ressalta.

 

 

Exemplos da participação da segurança nos resultados financeiros do empreendimento, listados pela Protege.

 A tecnologia permite:

- O alcance e abrangência de áreas que antes ficavam por conta de pessoas e essa substituição reduz os custos e despesas com mão de obra.

- Diminui ocorrências de furto e roubo, bem como as despesas com seguradoras.

- A redução de gastos com custas processuais e ressarcimentos por responsabilidade civil, além de exposição por crimes e suas consequências, que também culmina em ressarcimentos.

- A implementação de meios de locomoção (segway e motocicletas), que resulta na diminuição do efetivo (pessoas) necessário para realizar o mesmo trecho de inspeção de segurança, bem como rapidez em atendimentos diversos, tanto para emergências médicas, quanto de delitos.

 

*Matéria originalmente publicada pela revista Shopping Centers, da Abrasce