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31/03/2016



OS BASTIDORES DE UM DOS PRINCIPAIS SHOPPINGS DA REGIÃO NORTE DO PAÍS




Foi em um terreno onde ensaiava o grupo do Boi Caprichoso que nasceu um dos principais shoppings da região Norte do País, o Manaus Plaza Shopping

Por Camila Mendonça*

Eram metros e mais metros quadrados de ociosidade. Na região da Chapada, em Manaus, o que se via ali vez ou outra era o grupo do famoso Boi Caprichoso se apresentando. Com o crescimento da região, o aumento da demanda por mais opções de compra e lazer, o Grupo TV Lar, dono do terreno, começou a ver o espaço com outros olhos. Tradicional no Amazonas, o grupo tem 27 lojas TV Lar, de varejo de móveis e eletrodomésticos, é um dos sócios da Yamaha e ainda tem no portfólio uma fábrica de camas e colchões, a Sonorey. 

Com mais de 50 anos de mercado, a empresa percebeu que precisava diversificar e, para isso, usar os ativos que tinha em mãos. Mas no início, o olhar não foi o ideal, segundo conta Antonio Maria Azevedo, presidente do Manaus Plaza Shopping, e um dos herdeiros de José Azevedo, fundador e presidente do GrupoTV Lar.  “O desafio foi aprender sobre esse negócio, que não conhecíamos. A ideia era construir uma grande operação da TV Lar com ancoragem. E isso foi feito até de uma forma amadora. Se eu soubesse o potencial do local teríamos começado de outra forma”, conta.

Em entrevista à revista Shopping Centers, o executivo conta sobre os desafios que a varejista tradicional enfrentou ao entrar em outro setor, fala de como transformou o centro comercial que implantou no terreno em um dos shoppings mais consolidados da região e projeta o futuro.  

Revista Shopping Centers   O Grupo TV Lar é tradicional em varejo no Amazonas. Por que investir na indústria de shopping center?
Antonio Azevedo
  Para diversificar os investimentos. Tínhamos esse grande terreno onde ensaiou, por muito tempo, o grupo do Boi Caprichoso. Na década de 90, resolvemos apostar em um centro comercial, o TVlândia Mall, com um supermercado, uma grande unidade da TV Lar e um conjunto de lojas. Inauguramos em 2002. Esse foi o precursor do Manaus Plaza.

Revista Shopping Centers   Quais foram os desafios dessa empreitada?
Antonio Azevedo     O desafio foi aprender sobre esse negócio, que não conhecíamos. A ideia, no início, era construir uma grande operação da TV Lar com ancoragem. E foi feito até de uma forma amadora. Fizemos algo maior do que o projeto inicial, como o primeiro andar, que não vingou por não ter âncora. E, por isso, tínhamos dificuldade de locar essas lojas. Tivemos de aprender as diferenças do setor em relação ao varejo. Em shopping, temos de nos preocupar com o primeiro cliente, que é o lojista, e com o cliente final, que é o frequentador que gera tráfego para que as vendas aconteçam. E temos de cuidar dos lojistas e transferir a experiência de operação – o que é diferente no varejo.

Revista Shopping Centers     Como começaram as mudanças até que o centro comercial se tornasse um shopping?
Antonio Azevedo
    Tivemos de mudar pela necessidade de gerar tráfego naquele momento. Estávamos operando apenas com as lojas de baixo, uma âncora, a nossa loja e a praça de alimentação, que estava muito carente. Então, buscamos uma consultoria de shopping e começamos a ampliação, mas ainda com o nome TVlândia. Trouxemos um cinema, o Cinemais. Na época, já existia o Amazonas Shopping e outro pequeno empreendimento. E esse cinema foi o segundo mais moderno do Estado. Ele ajudou a oxigenar o empreendimento, mas não foi suficiente. Tínhamos muito espaço para ampliação. Então, começamos a grande mudança para trazer operações que não tínhamos, lojistas de renome, franquias. Colocamos estacionamento para 1.100 carros, ampliamos a frente para ganhar Área Bruta Locável (ABL), mudamos a praça de alimentação e a frente do shopping ficou mais moderna.

 

Revista Shopping Centers     Assim nasceu o Manaus Plaza?
Antonio Azevedo       Sim. Como era outro produto, outro equipamento, outra proposta, mudamos o nome, até para mostrar que era um shopping que estava em sintonia com o momento e com a cidade. Ele foi inaugurado em 2009 e a receptividade foi ótima. Hoje, temos 108 operações e 24 mil metros quadrados de ABL. A área total construída ficou em 90 mil metros quadrados e investimos em torno de R$ 100 milhões.  Depois fizemos um Centro de Convenções.

Revista Shopping Centers     Qual o diferencial do Manaus Plaza frente aos concorrentes do Estado?
Antonio Azevedo
        Nossa proposta é ser um shopping de serviço, até pelo tamanho e pelo Centro de Convenções, de quatro mil metros quadrados. Ele é a nossa principal âncora. Realizamos cerca de cem eventos por ano, de diversos formatos. Esse é nosso grande diferencial, o serviço.

Revista Shopping Centers      Já conseguiram ter retorno do investimento?
Antonio Azevedo
       Ainda não conseguimos repor o investimento, mas sabemos que essa é uma empreitada de longo prazo. E tivemos dificuldades no início, como a incerteza do mercado diante do governo Lula. Foi preciso muita coragem para conciliar tudo isso e acreditar em algo novo. Além da maior competição com outros players que entraram no mercado. E quando entra mais um você divide o mercado com eles. Em 2014 inauguraram dois grandes shoppings no Estado.

Revista Shopping Centers     Como a crise impactou a região e os negócios do grupo?
Antonio Azevedo      No Amazonas, a economia gira em torno da zona franca industrial e temos um polo de eletroeletrônico, um polo de duas rodas e informática – eles giram a economia da região e quando o País entra em crise, o primeiro setor a ser afetado é o de bens duráveis. E sentimos que a crise teve um impacto forte na região, chegando a até 30% de queda. Isso significa desemprego, menos arrecadação e menos dinheiro. No ano passado, apresentamos um decréscimo em torno de 7% e para este ano queremos, pelo menos, empatar. 

Revista Shopping Centers     Tem planos de expandir para além do Estado do Amazonas?
Antonio Azevedo
       Temos sim. Estamos da segunda para a terceira geração e organizamos o grupo para crescer. Em termos de varejo, pensando na TV Lar, estamos pensando em ocupar todo o mercado no Amazonas, principalmente no interior. E pretendemos começar a investir em outros Estados da região Norte depois disso. Nosso planejamento é para até 2020. E considerando o fluxo de caixa desse período de dificuldades que todo mundo está vivenciando, temos metas audaciosas. Tivemos de pensar fora da crise pra ver aonde queremos estar em 2020. Até lá, ainda não vislumbramos outras regiões. Considerando o Manaus Plaza, nosso objetivo não é ser o maior, mas o melhor shopping em operação. Estamos trabalhando para isso.


*Matéria publicada na edição 204 da revista Shopping Centers, da Abrasce