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30/03/2016



A EVOLUÇÃO DO SHOPPING CENTER


 

A maneira como os shoppings são desenhados e operados estão em constante evolução

 

Por Ticiana Werneck

 

De acordo com a consultoria imobiliária Green Street Advisors, 15% dos shoppings americanos irão fechar ou serão convertidos em espaços para outros fins. Ao mesmo tempo, varejistas online percebem que divulgar seus produtos apenas na web não é o suficiente para diferenciar sua marca da concorrência, e que alguma representação física é importante para o sucesso.

 

É o que afirma a agência de tendências PSFK em um relatório sobre a evolução do shopping center. Não só um destino para compras e alimentação, mas sim um ambiente multiuso dinâmico, com áreas de convivência, espaços para prática esportiva, entretenimento, alta gastronomia, eventos etc. É uma evolução que a cada ano ganha novas roupagens.

 

Não é de hoje que os desenvolvedores de shopping centers vêm repensando a infraestrutura operacional e técnica dos empreendimentos. Segundo o co-fundador do The Science Project, agência nova-iorquina de design e inovação, Jeremy Bergstein, isso impacta, inclusive, na fonte de renda. “Os empreendimentos não deverão se apoiar apenas no aluguel de espaço e descobrir outras formas de captação”, disse para a PSFK.

 

O grupo Westfield está acompanhando o assunto de perto, e ajustando o desenvolvimento dos novos empreendimentos de acordo com essa nova demanda. O grupo percebeu que muitos varejistas estavam diminuindo o tamanho de suas lojas e investindo em lojas conceito, onde exploravam com mais intensidade a experiência omnicanal com alta interação digital. Assim, a Westfield começou a desenvolver shoppings exclusivos para lojas conceito. É uma questão de perceber onde estão as oportunidades.

 

De acordo com a PSFK, outra tendência para os shoppings no futuro são as lojas pop up e as que possuem “lojas dentro de lojas”, com parcerias da indústria e alta exploração da tecnologia para interagir com o consumidor no ponto de venda. O foco aqui é a constante novidade, um ambiente nada estático.

 

Uma pesquisa da empresa Q&A Research and Consultancy revelou que 69% dos respondentes querem continuar comprando nas lojas, apesar do avanço do ecommerce. O ponto aqui é entender o que faz esse frequentador querer se deslocar até um shopping para comprar algo que pode comprar pelo seu celular, em qualquer lugar, em qualquer hora.

 

A conveniência é, sem dúvida, um fator de peso. Pesquisa recente da mesma Westfield, que ouviu oito mil frequentadores, indicou que conveniência e agilidade são os fatores que os fazem querer ir a um shopping. Com base nisso, a Westfield vem redesenhando seus novos projetos para ir de encontro com a fluidez e imediatismo que o frequentador espera encontrar.

 

Por conveniência entenda também o famoso argumento da maioria das pessoas ao escolher um mall como destino: “combinar a ida ao shopping para resolver várias pendências”, pois lá está tudo perto e à mão. Esse trunfo é valioso para qualquer empreendimento e aqui um mix apurado faz toda diferença.

 

E, ainda, o fato de existir um ponto físico é determinante. Muitos varejistas puramente virtuais inauguraram lojas físicas – Dafiti e Amazon, por exemplo – para marcar presença, ampliar seu valor como marca na mente do consumidor. Por que não fazer desse espaço algo diferente?

 

Muito se fala sobre experiência de compra singular. Mas é este mesmo o caminho do varejo físico: oferecer uma experiência conveniente, eficiente, emocional, divertida e que ao mesmo tempo, seja capaz de dialogar com os outros canais de compra virtuais de uma forma intuitiva – não adianta criar barreiras aqui.